domingo, 31 de outubro de 2010

A luta de Deus na salvação de um homem (Quem Manda é o Altíssimo)


Por Rev. Hernandes Dias Lopes

Daniel 4.1-37

INTRODUÇÃO

1. A graça de Deus é soberana. O chamado de Deus é irresistível. Este texto nos mostra a luta de Deus na salvação de Nabucodonosor. Deus move os céus e a terra para levar este soberbo rei à conversão.

2. O livro de Daniel não apenas nos mostra a soberania de Deus na história, revelando que o seu Reino domina sobre tudo e todos, mas Deus também é soberano na salvação de cada pessoa.
3. Vejamos algumas lições:

I. AS INICIATIVAS DE DEUS PARA ALCANÇAR UM HOMEM

1. Colocou pessoas crentes em sua companhia (Capítulo 1) – No palácio de Nabucodonosor estavam Daniel e seus três amigos. Eles eram jovens crentes, fiéis e cheios da graça de Deus. Mas o convívio com pessoas crentes, por si só, não converte ninguém, ainda que sejam crentes excepcionais como aqueles quatro jovens (Dn 1:21).

2. Mostrou para ele que só o Reino de Cristo é eterno (Capítulo 2) – Nabucodonosor permanece ainda pagão. Está atribulado por causa do seu sonho. Está furioso com os sábios que não conseguem decifrar o seu sonho. Mandou matá-los. Só um homem sem Deus pode agir assim. Daniel falou-lhe acerca do Reino de Deus que viria e que jamais seria destruído. Nabucodonosor foi levado a contemplar a ruína de sua religião e a confessar que Deus é o Deus dos deuses (Dn 2:47). Ele ficou impressionado, reconheceu que Deus existe, chegou a reconhecer que o Senhor é o maior de todos os deuses. Mas ele não se converteu. Logo no capítulo 3 esquece de sua confissão.

3. Mostrou para ele que só Deus liberta (Capítulo 3) – Agora Nabucodonosor fez uma hedionda estátua, representando ele mesmo, e ordenou para que todos a adorassem. Perdeu sua convicção anterior que Deus é o Deus dos deuses. Agiu em direta contradição às verdades que recentemente confessara. As palavras de sua boca não alcançaram o seu coração. HOJE ISTO SE REPETE – Muita gente fica impressionada. A verdade as cativa e entusiasma. Ficam inquietas com o que ouvem. Mas não dão lugar ao Evangelho. Era esta a condição de Nabucodonosor no capítulo 3. Sua fúria de homem não convertido levou-o a jogar os três jovens na fornalha acesa. Ele teve o testemunho de fidelidade desses jovens. Ele teve a visão do Filho de Deus pré-encarnado andando na fornalha. Ele mais uma vez confessa que não há Deus que liberta como o Deus daqueles jovens. MAS DEUS É O DEUS DE MESAQUE, SADRAQUE E ABEDE NEGO E NÃO O SEU DEUS PESSOAL. Hoje, talve, Deus é o Deus da sua esposa, de seus pais, mas não é o seu Deus pessoal. Você sabe que Deus livra, salva, liberta, mas você ainda não está comprometido com ele.

4. Mostrou para ele que só o Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens (Capítulo 4) – Os versos 17, 25, 32 revelam a última ação de Deus para quebrar as resistências de Nabucodonosor. Deus levou esse homem à loucura para converter o seu coração.

II. A REVELAÇÃO DE DEUS PARA ALCANÇAR UM HOMEM

1. O sonho perturbador – v. 10-18
• Uma árvore no meio da terra, cuja altura chegava ao céu e era vista até aos confins da terra. Havia nela sustento para todos e todos os seres viventes se mantinham dela. Um santo que descia do céu deu ordens para derribar a árvore e afugentar todos os animais. Mas a cepa com as raízes deviam ser deixada para ser molhada pelo orvalho do céu até que passasse sobre ela sete tempos.
• O sonho do rei tem uma aplicação pessoal clara, daí o seu temor. A mensagem central do sonho não era enigmática (v. 17).

2. A interpretação corajosa – v. 19-27
• A árvore frondosa, que cresceu, tornou-se notória, grande, poderosa, explêndida era o próprio rei (v. 22).
• A ordem para cortar a árvore vem do céu, como um decreto do Deus Altíssimo. O significado é que o rei será expulso de entre os homens para morar com os animais do campo como um bicho até que reconheça que o Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens (v. 25).
• Depois que o rei passar pela humilhação e quebrantamento, Deus mesmo vai restaurá-lo.

3. O cumprimento fiel – v. 28-33
• Tudo o que Daniel falou para o rei aconteceu literalmente. Nabucodonosor em vez de se humilhar, não atendeu a mais este alerta de Deus e por isso foi arrancado do trono, expulso de entre os homens para viver como um animal do campo.

III. A SOBERANIA DE DEUS PARA SALVAR UM HOMEM

1. A paciência generosa de Deus – v. 29

• Deus não derrama o seu juízo antes de chamar ao arrependimento. Deus deu doze meses para Nabucodonosor se arrepender. Deus também tem lhe falado. Ele não quer que você pereça. Ele tem lhe dado muitas oportunidades. Noé pregou durante 120 anos. Sodoma tive o testemunho de Ló. Jerusalém antes de ser levada cativa ouviu o brado dos profetas que a convocou ao arrependimento. Hoje, Deus está lhe dando mais uma chance. Cada dia é um dia de graça. É mais uma chance que Deus lhe dá.

2. A dureza do homem que rejeita ouvir a voz de Deus – v. 4,29

a) Feliz e calmo passeando no palácio a despeito do solene aviso de Deus (v. 29) – Ah! Se você pudesse perceber o perigo que se encontra a sua alma, você cairia com o rosto em terra. Você gritaria por socorro. O inferno está com a boca aberta. Há um abismo debaixo dos seus pés. Os demônios querem levá-lo à perdição. O tempo é de emergência e não de folguedo.

b) Ele exalta-se em vez de dar glória a Deus (v. 30) – “Eu edifiquei”, “com o meu grande poder”, “para a glória da minha majestade”. Ele era a causa, o meio e a finalidade de tudo que acontecia no seu reino. Tudo girava em torno da realeza imperial. A soberba precede a ruína. A auto-exaltação torna o homem cego e tolo e endurecido.

c) A prosperidade não é garantia contra a adversidade – A Babilônia era a cidade mais rica e poderosa do mundo. Ela tinha 96 Km de muros com 25 metros de largura, 25 portões de cobre. Uma imagem de Marduque no grande templo com 22.500 kg de ouro. Nabucodonosor era rei de reis, um grande conquistador e construtor. A cidade estava cheia de prédios, palácios e templos. Lá estava os JARDINS SUSPENSOS, uma das sete maravilhas do mundo antigo, construído para a sua esposa, uma princesa da Média, que sentia falta das montanhas de sua terra natal. Ele era um homem que tinha poder, riqueza e fama. Seu reino era glorioso e extenso. Mas as nações são para Deus como um pingo, como um pó, como um vácuo, como nada. O rei cairia, Babilônia cairia. Só o Reino de Deus é eterno.

3. A humilhação do homem impenitente – v. 31-33

a) Vem do céu (v. 31) – Quando o homem não escuta a voz da graça, ouve a trombeta do juízo. Deus abriu para o rei a porta da esperança e do arrependimento. Ele não entrou, então Deus o empurrou para o corredor do juízo. Deus o humilhou. O poder e a prosperidade sem o temor de Deus pode intoxicar a alma (Dt 18:11-18). O orgulho é algo abominável para Deus. Deus resiste ao soberbo. O processo de quebrantamento do homem vem do céu.

b) É repentina (v. 31,33) – A paciência de Deus tem limite. O cálice da ira de Deus se enche. Chega um ponto que Deus diz: Basta! “Falava ele ainda…”.

c) É terrível (v. 32,33) – O rei ficou louco. Deus o fez descer ao fundo do poço. Deus tirou o seu entendimento. Deu-lhe um coração de animal. Seu cabelo cresceu como penas de águia. Suas unhas cresceram como as das aves. Vivia como animal no campo, comendo capim, pastando no meio dos bois. Sua doença era chamada de Insânia Zoantrópica ou Licantropia ou Boantropia – considerar-se um animal, agir como um animal. Deus colocou o homem mais poderoso do mundo no meio dos bois. Deus golpeou seu orgulho para levá-lo à conversão. Ele passou a comer capim, a rolar no chão com os cascos crescidos. O todo poderoso Nabucodonosor virou bicho. Foi pastar.

d) É irremediável (v. 32,33) – Ninguém pôde ajudá-lo, mesmo ele sendo o homem mais rico e mais poderoso da terra.

e) É proposital (v. 27) – 1) É cheia de esperança (v. 26,32); 2) Não é vingança; 3) Visa o arrependimento (v. 27). Deus o mandou comer capim para não o mandar para o inferno. Essa é a eleição da graça, que leva o homem ao fundo do poço e depois o tira de lá. O mesmo Deus não fez com BELSAZAR que foi condenado inapelavelmente. HERODES, por não dar glória a Deus foi comido de vermes. O Deus que fére é o Deus que cura. O que humilha, também exalta.

4. A conversão do homem quebrantado – v. 34-37

• Como Deus operou a conversão de Nabucodonosor? Não foi exaltando-o, mas o humilhando. É assim que Deus converte as pessoas. Quem não se fizer como criança, não pode entrar no Reino de Deus.
• Primeiro o homem precisa ser confrontado com o seu pecado. Precisa saber que está perdido. Primeiro a lei o condena e o leva ao pó. Precisa reconhecer sua indignidade. No céu só entra gente quebrantada.
• Nabucodonosor via a glória da sua cidade. Ele tocava trombeta para si mesmo. Gostava de viver sob as luzes da ribalta. Aplaudia a sua própria glória. Deus, então, o humilhou. Jogou-o no pó. Mandou-o para o pasto comer grama. Tirou suas roupas palacianas e molhou o seu corpo com o orvalho do céu. Suas unhas esmaltadas viraram casco. Exemplo: Manassés.
• A conversão de Nabucodonosor pode ser vista através de quatro evidências:

a) Ele glorifica a Deus (V. 34) – Agora, ele olha para o céu, para cima (v. 34). A nossa vida sempre segue a direção do nosso olhar. Até agora ele só olhava para baixo, para a terra. Como aquele rico insensato que construiu só para esta vida e Deus o chamou de LOUCO. Muitos levantam os olhos tarde demais como o RICO que desprezou Lázaro. Ele levantou seus olhos, mas já estava no inferno.

b) Ele confessa a soberania de Deus (v. 35) –

c) Ele testemunha sua restauração (v. 36) –

d) Ele adora a Deus (v. 37).

CONCLUSÃO – Três lições práticas

1. Nunca devemos desistir da conversão de qualquer pessoa

• Aquele que arruinou Jerusalém, que destruiu o templo, que carregou os vasos sagrados, que esmagou a cidade, que levou cativo o povo, que adorava deuses falsos e era cheio de orgulho foi convertido.

• Aquele que manda matar seus próprios feiticeiros e também jogar na fornalha os filhos de Deus. Aquele que exige adoração à sua pessoa e força as pessoas a adorarem falsos deuses. Aquele que era o homem mais poderoso do mundo – SE esse homem foi convertido, podemos crer que não há conversão impossível para Deus.

• Creia na conversão do ateu, do agnóstico, do cínico, do apático, do blasfemo, do feiticeiro, do idólatra, do viciado, da prostituta, do homossexual, do drogado, do assassino, do presidiário, do político, do universitário, do patrão, do cônjuge, do filho, dos pais. Creia! Evangelize! O Deus que salva está no trono.

2. A razão porque você ainda não se converteu é porque você ainda não está suficientememnte quebrantado

• Você tem um elevado conceito de si mesmo. Você é muito orgulhoso para se prostrar. Acha-se muito importante ou bom para se humilhar.

• Mas é o publicano que bate no peito e chora pelos seus pecados que desce justificado. O grande perseguidor da igreja, Saulo de Tarso, só é convertido quando Jesus o joga no chão e ele cego, humilde se volta para Jesus quebrantado.

• Jesus não veio chamar justos, mas pecadores. Não veio cura os que se julgam sãos, mas o que reconhecem que são doentes e carentes.

3. Quem reluta em se prostrar vai ser quebrantado ou vai perecer eternamente

• Deus poderia tornar qualquer pessoa louca. Quem sabe como Deus reagirá à sua constante rejeição, a despeito das constantes advertências.

• Deus pode quebrar você sem que haja cura (Pv 29:1).

• Se Deus tornar você louco sem lhe restaurar, como você clamará por sua misericórdia? Se ele chamar você agora, que desculpas você lhe daria?

• Deus não despreza o coração quebrantado (Sl 51:17).

• Erga seus olhos ao céu enquanto é tempo. O homem rico o fez tarde demais. O tempo de Deus é agora. É melhor ser quebrado por Deus agora do que perecer eternamente no inferno. Reconheça hoje também a soberania de Deus na sua vida e volte-se para o Senhor!

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Pelagianismo


Por Michael Horton

Cícero observou em sua cultura que as pessoas agradeciam a Deus por sua prosperidade material, mas nunca pelas suas virtudes, pois consideram isso como uma característica inerente a elas mesmas. B. B. Warfield, um teólogo da cidade de Princeton, considerou o Pelagianismo “a reabilitação da visão pagã do mundo”, e concluiu com grande clareza: “Há duas doutrinas fundamentais sobre salvação: a que ensina que a salvação vem de Deus, e que ensina que a salvação é vinda de nós mesmos. A primeira é a doutrina fundamental do Cristianismo; a última, do paganismo universal”.

As ferinas críticas de Warfield fazem coro com o testemunho da igreja desde que Pelágio e seus discípulos começaram a patrocinar sua heresia. São Jerônimo, um Latino que viveu no quarto século, chamou o Pelagianismo de “a heresia de Pitágoras e Zeno”, por ser no paganismo que se tem normalmente a convicção de que os seres humanos têm dentro de si o poder de salvar-se a si próprios. O que, então, foi o Pelagianismo, e qual a sua origem?

Primeiramente, essa heresia originou-se com os nossos primeiros pais, como veremos adiante. Ela foi definida e classificada no quinto século, quando Pelágio, um monge britânico, chegou à cidade de Roma. Desde o momento em que lá chegou, Pelágio ficou profundamente impressionado com a imoralidade do ambiente, e decidiu começar uma reforma moralista nos sacerdotes romanos. Apesar de ter exigido um grande esforço, essa campanha encontrou apoio por parte de muitas pessoas. O sustentáculo de sua pregação era a ênfase que havia no influente bispo africano, Santo Agostinho.

Agostinho ensinava que os seres humanos, por nascerem com o pecado original, são incapazes de salvar-se a si mesmos. Segundo ele, fora da graça de Deus, é impossível que uma pessoa obedeça ou até mesmo busque a Deus. Com o pecado de Adão, houve uma total corrupção na raça humana, de modo que a vontade natural do homem está fatalmente cativa e submissa à nossa condição pecaminosa. Dessa forma, somente a graça de Deus, concedida livremente aos Seus eleitos, é capaz de trazer salvação aos seres humanos.

Contrastando em muito a isso, o discurso de Pelágio era guiado por interesses morais, e sua teologia foi feita para estimular o aprimoramento moral e social. Ele concluiu de forma fatalista que a ênfase de Agostinho na necessidade humana e na graça divina iria certamente paralisar a busca da santificação, visto que as pessoas iriam passar a pecar constante e impunemente. Dessa forma, Pelágio reagiu rejeitando a doutrina do pecado original. De acordo com ele, Adão foi meramente um mal exemplo, e não o autor de nossa natureza pecaminosa – somos pecadores porque temos pecados – e não o contrário. Conseqüentemente, é claro, o Segundo Adão, Jesus Cristo, foi apenas um bom exemplo. A salvação, dessa forma, consiste simplesmente em seguir o exemplo de Jesus em vez do de Adão. O que os homens e mulheres precisam é de uma direção moral, não de um novo nascimento; assim sendo, Pelágio viu a salvação em termos meramente naturais: seria o progresso do caráter humano, por seguir o exemplo de Cristo.

Em seu comentário em Romanos, Pelágio acredita na graça como a revelação de Deus no Velho e Novo Testamentos, a qual nos ilumina, e auxilia nossa santidade por providenciar instruções explícitas sobre Deus, e por dar muitos exemplos a serem imitados. O homem natural não é concebido em pecado. Conseqüentemente, a vontade humana não está presa a uma natureza pecaminosa e suas afeições; apenas as escolhas determinam se alguém irá obedecer a Deus, e assim ser salvo.

Em 411, surge um homem, Paulinho de Milão, com uma lista de seis pontos heréticos contidos na mensagem de Pelágio.

1. Adão foi criado mortal e teria morrido se mesmo que não tivesse cometido pecado;
2. O pecado de Adão agrediu somente a ele, não toda a raça humana;
3. Crianças recém-nascidas estão no mesmo estado que Adão antes da sua queda;
4. Não é por causa da morte e do pecado de Adão que toda a raça humana morre; de igual modo, ela não irá ressuscitar por causa da ressurreição de Cristo;
5. A lei oferece, assim como o evangelho, oferece entrada no Reino do Céu;
6. Até mesmo antes da vinda de Cristo, havia homens completamente sem pecado.
Mais tarde, Pelágio e seus seguidores negaram a doutrina da predestinação incondicional.

É obvio que o Pelagianismo foi condenado por mais concílios da Igreja do que qualquer outra heresia na história. Em 412, Coelestius, um discípulo de Pelágio, foi excomungado no Sínodo de Cartago; os Concílios de Cartago e Milevis condenaram Pelágio. O imperador oriental Teodósio II baniu os Pelagianos do Leste, em 430 d.C. A heresia foi repetidamente condenada pelo Concílio de Éfeso, em 431, e pelo Segundo Concílio de Orange, em 529. De fato, o Concílio de Orange condenou até mesmo o Semi-Pelagianismo, que embora afirme que a graça é necessária à salvação, ensina que a vontade é livre por natureza para escolher cooperar com a graça oferecida. O Concílio de Orange condenou também aqueles que ensinavam que a Salvação poderia ser concedida no simples ato de se fazer uma oração, afirmando em lugar disso, com muitíssimas referências bíblicas, ser necessário Deus despertar o pecador e lhe conceder o dom da fé antes que ele possa até mesmo buscá-lO.

Qualquer doutrina que limita o conhecimento do pecado original, o cativeiro da vontade à natureza pecaminosa, e a necessidade da graça para até mesmo aceitar dom da vida eterna e permanecer em santidade é considerada por toda a igreja como heresia. A heresia descrita é chamada Pelagianismo.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

A Glória da Obediência de Cristo


Por John Owen

Havia uma glória invisível em tudo o que Cristo fez e sofreu na terra. Se as pessoas a tivessem visto, elas não teriam crucificado o Senhor da glória. Entretanto, aquela glória foi revelada a alguns; os discípulos “viram a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade” (Jo 1.14).

Primeiro, vamos considerar a obediência de Cristo naquilo que Ele fez. Ele livremente escolheu obedecer. Ele disse: “Eu vim para fazer a tua vontade, ó Deus”, antes de haver necessidade pra Ele fazer essa vontade. Ele não era como nós, criaturas humanas, que necessariamente sempre estivemos sujeitos à lei de Deus. João Batista sabia que Jesus não tinha necessidade de ser batizado. Mas Cristo disse: “Deixa por agora, porque assim nos convém cumprir toda a justiça” (Mt 3.15). Cristo voluntariamente Se identificou com os pecadores quando foi batizado.

Deus deu-lhe honra e glória porque, pela sua obediência, a Igreja toda se tornou justa (Rm 5.19). A obediência de Cristo a cada parte da lei foi perfeita. A lei era gloriosa quando os Dez Mandamentos foram escritos pelo dedo de Deus. Ela se torna mais gloriosa ainda quando é obedecida nos corações dos crentes. Mas é apenas na mais absoluta e perfeita obediência de Cristo que a santidade de Deus na lei é vista em sua glória total. “Ainda que era Filho, aprendeu a obediência, por aquilo que padecer” (Hb 5.8). O Senhor de todos, que fez a todos, viveu em estrita obediência à lei de Deus. Posto que Ele era uma pessoa singular, a Sua obediência possui a glória de Sua singularidade.

Ora, considerem a glória da obediência de Cristo demonstrada naquilo que Ele sofreu. Ninguém jamais pode medir a profundidade dos sofrimentos de Cristo. Podemos olhar para Ele sob o peso da ira de Deus, em Sua agonia e suor de sangue, nos Seus fortes gritos e lágrimas. Podemos olhar pra Ele orando, sangrando, morrendo, fazendo da Sua alma uma oblação pelo pecado. “Da opressão e do juízo foi tirado; e quem contará o tempo de sua vida? Porquanto foi cortado da terra dos viventes: pela transgressão do meu povo foi ele atingido” (Is 53.8). “Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos!” (Rm 11.33). Quão glorioso é o Senhor Jesus aos olhos dos Seus redimidos!

Por causa do pecado de Adão, ele e todos os seus descendentes se acham diante de Deus sujeitos a perecer eternamente sob a ira de Deus. Enquanto, nessa condição o Senhor Jesus vem até os pecadores persuadidos, com o Seu convite: “Pobres criaturas! Como é triste a sua condição! O que aconteceu com a beleza da glória e da imagem de Deus nos quais vocês foram criados? Vocês agora têm a imagem deformada de Satanás; pior que isso, miséria eterna aguarda vocês. No entanto, olhem para cima mais uma vez; contemplem-Me! Eu me colocarei em seus lugares. Eu suportarei o peso da culpa e a punição que jogaria vocês para sempre no inferno. Eu me tornarei, temporariamente, em maldição para vocês, para que possam ter bem-aventurança eterna”.

Contemplemos a glória demonstrada no evangelho:Jesus Cristo é crucificado diante dos nossos olhos (Gl 3.1). Nós só entendemos as Escrituras à medida que vemos nelas o sofrimento e a glória da Cristo. A sabedoria do mundo não vê nada neles a não ser estultícia. “Mas, se ainda nosso evangelho está encoberto, para os que se perdem está encoberto. Nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus” (2Co 4.3-4).

Fonte: Mayflower

Não Espere Novas Revelações


Por João Calvino

1. Havendo Deus, antigamente, falado. (Hb 1.1-3) O propósito desta introdução consiste no enaltecimento da doutrina de Cristo. Aqui aprendemos não só que devemos receber essa doutrina com reverência, mas também que devemos repousar exclusivamente nela. Para que se entenda melhor esse fato, é indispensável que observemos a antítese das cláusulas em separado. Em primeiro lugar, o Filho de Deus é contrastado com os profetas; em segundo lugar, nós, com os patriarcas; em terceiro lugar, as variadas e múltiplas formas de expressão que Deus adotou em relação aos pais, até chegar à última revelação que nos é comunicada por Cristo. Não obstante, dentro dessa diversidade o autor põe diante de nós o Deus único, no caso de alguém concluir que a lei está em divergência com o evangelho, ou que o autor deste seja distinto do autor daquela. Portanto, para que pudéssemos apreender o ponto crucial desse contraste, o seguinte confronto poderá servir de ilustração:
Deus falou

Outrora, pelos profetas: agora, pelo Filho.
Então, aos pais: agora, a nós.
Antes, diversas vezes: agora, nestes últimos dias.

Com o assentamento desse alicerce, a concordância entre a lei e o evangelho é estabelecida, porque Deus, que é sempre o mesmo, cuja Palavra é imutável e cuja verdade é inabalável, falou em ambos igualmente. E preciso, contudo, que observemos a diferença entre nós e os patriarcas, visto que Deus se dirigiu a eles no passado de uma forma diferenciada de nós hoje. Primeiramente, nos tempos dos patriarcas ele utilizou-se dos profetas; no tocante a nós, porém, ele nos deu seu próprio Filho como Embaixador. Nesse aspecto, portanto, nossa condição é muito melhor. Além do mais, Moisés se acha incluído na categoria de profeta, como um daqueles que são inferiores ao Filho. E pela forma como se processou a revelação, também estamos em melhor situação, pois a diversidade de visões e de outras administrações que existiram no Velho Testamento evidenciava que não havia ainda uma ordem definida e definitiva de fatos, tal como sucede quando tudo se acha perfeitamente estabelecido. Esse é o significado da frase "diversas vezes e de diversas maneiras". Deus poderia ter seguido o mesmo método perenemente até ao fim, se tal método houvera sido perfeito em todos os sentidos. Segue-se, pois, que essa variedade constituía um sinal de imperfeição. Além do mais, tomo essas duas palavras no seguinte sentido: "diversas vezes" tem referência às várias mudanças de tempos. O termo grego significa literalmente "em muitas partes", como, por exemplo, quando tencionamos falar com mais amplitude ou posteriormente. Mas o termo grego (em minha opinião) indica diversidade no próprio método [divino]. Quando ele diz: "nestes últimos dias nos falou", o sentido consiste em que não há mais razão para ficarmos ainda em dúvida se devemos esperar alguma nova revelação. Não foi apenas uma parte da Palavra que Cristo trouxe, e, sim, a Palavra final. É nesse sentido que os apóstolos entenderam a expressão "os últimos tempos" e "os últimos dias". E Paulo entende a mesma coisa, ao escrever: "de nós outros sobre quem os fins dos séculos têm chegado" (1 Co 10.11). Se Deus agora falou sua Palavra final, é conveniente que não avancemos mais, assim como devemos deter nossos passos quando nos aproximamos dele. É muitíssimo necessário que reconheçamos ambos esses aspectos; pois constituía-se um grande obstáculo para os judeus o fato de não considerarem a possibilidade de Deus haver transferido para outro tempo um ensino mais completo. Viviam satisfeitos com sua própria lei, e não se apressaram rumo ao alvo. Em contrapartida, uma vez tendo Cristo aparecido, um mal opositor começou a prevalecer no mundo. Os homens se esforçaram para ir além de Cristo. Que outra coisa faz todo o sistema do papado, senão transgredir esse limite que o apóstolo delimitou? Portanto, assim como o Espírito de Deus, nesta passagem, convida a todos a irem a Cristo, assim os proíbe a ultrapassarem essa Palavra final da qual ele faz menção. Resumindo, o limite de nossa sabedoria está posto aqui no evangelho.

2. A quem constituiu herdeiro. O autor glorifica a Cristo com esse sublime enaltecimento à guisa de incitar-nos a reverenciá-lo, pois assim como o Pai fez todas as coisas sujeitas a Cristo, nós, igualmente, pertencemos ao seu reino.

Ele declara igualmente que nenhum bem pode ser encontrado fora dele/ visto ser ele o herdeiro de todas as coisas. Por essa razão, segue-se que somos os mais miseráveis e destituídos de todas as boas coisas, a menos que ele nos socorra com suas riquezas. Demais, ele acrescenta que essa honra, ou seja, exercer autoridade sobre todas as coisas, pertence por direito ao Filho de Deus, porquanto todas as coisas foram feitas por ele; embora essas duas prerrogativas sejam atribuídas a Cristo por razões distintas. O mundo foi criado por ele na qualidade de sabedoria eterna de Deus, a qual assumiu a diretriz de todas as suas obras desde o princípio. Essa é a prova da eternidade de Cristo; naturalmente que ele teria que existir antes que o mundo fosse por ele criado. Mas se a questão for sobre a extensão de tempo, então nenhum princípio será encontrado. Tampouco se detrai algo de seu poder, ao afirmar-se que o mundo foi criado por ele, ainda que não o tenha criado por iniciativa própria. É uma forma usual de se expressar quando se afirma que o Pai é o Criador. O que se acresce em algumas passagens - pela Sabedoria [Pv 8.27], ou pelo Verbo [Jo 1.3], ou pelo Filho [Cl 1.16] - possui a mesma força se se disser que a própria Sabedoria foi nomeada como Criadora. Deve-se notar que existe aqui uma distinção de pessoas, entre o Pai e o Filho, não só com referência aos homens, mas também com referência ao próprio Deus. A unidade de essência requer que, o que é próprio da essência de Deus, pertence tanto ao Filho quanto ao Pai. E assim, tudo quanto pertence exclusivamente a Deus, é comum a ambos. Tal fato não impede que cada um possua as propriedades de sua própria pessoa. O título 'herdeiro' é atribuído a Cristo em sua manifestação na carne. Pois, ao fazer-se homem e revestir-se de nossa própria natureza, ele recebeu para si essa herança a fim de restaurar para nós o que fora perdido em Adão. No princípio Deus estabelecera o homem como seu filho, para ser ele o herdeiro de todas as coisas; mas o primeiro homem, por meio de seu pecado, alienou-se de Deus, tanto ele próprio como também sua posteridade, e privou a todos tanto da bênção divina quanto de todas as demais coisas. Só começaremos a desfrutar as boas coisas de Deus, por direito, quando Cristo, que é o herdeiro de todas as coisas, nos admitir em sua comunhão. Ele tornou-se o herdeiro para poder fazer-nos ricos por meio de suas riquezas. Aliás, o apóstolo lhe atribui esse título para que pudéssemos saber que sem ele somos destituídos de todas as boas coisas. Se porventura considerarmos o termo 'todo' como pertencente ao gênero masculino, então esta cláusula significará que todos nós devemos estar sujeitos a Cristo, visto que fomos entregues a ele pelo Pai. Prefiro, porém, lê-lo como neutro, significando que somos privados da posse legal do céu e da terra, bem como de todas as criaturas, a menos que tenhamos comunhão com Cristo.

domingo, 24 de outubro de 2010

Dramas Com Filhos de Pastores


Por João A. de Souza Filho

Efraim foi pai de mais dois filhos além de Sutela; eles se chamavam Ézer e Eleade e foram mortos quando tentavam roubar o gado dos moradores de Gate. Efraim, o seu pai, chorou por eles muitos dias, e os irmãos dele foram consolá-lo (1 Cr 7.21-22).

Efraim, segundo filho de José, nasceu no Egito quando seu pai era o segundo homem na hierarquia do governo. José havia salvo o povo egípcio da tragédia da fome, e salvou a família de seus irmãos cuidando deles no Egito. Efraim quer dizer “prosperidade” ou bênção dupla.

No entanto, o nome significativo não o livrou de uma tragédia familiar: Seus dois filhos eram abigeatários, isto é, ladrões de gado. E numa dessas tentativas de roubar o gado dos campos dos filisteus, os homens de Gate os mataram.

Efraim chorou a morte de seus dois filhos durante meses, afinal, um homem como ele não merecia tal afronta.

Este texto veio-me à mente depois que fiquei sabendo de vários casos de filhos e filhas de pastores que se envolveram com o tráfico de drogas, com roubos e assaltos e também foram mortos pela polícia. Mas, o que acontece que filhos de pastores, criados na igreja se envolvam com roubos e com o tráfico e acabam sendo mortos? Conheço pastores, homens de Deus que geraram filhos que para nada serviram!

É o que tentaremos responder neste sucinto artigo.

Deixe-me afirmar que tragédias familiares acontecem com as melhores famílias. Nas Escrituras temos muitos casos que seriam verdadeiros escândalos se acontecessem hoje. Abraão era chamado de amigo de Deus, mas seria processado pelas leis atuais ao mandar embora a escrava sem qualquer indenização e sem lhe dar uma pensão alimentícia. E várias vezes mentiu. Isaque e Jacó seguiram a tendência de enganar e de mentir; aliás, a família de Jacó mentia e enganava descaradamente. Acredito que mentir e enganar fazia parte da cultura Oriental daqueles dias. Jacó enganou e foi enganado. Seus filhos o enganaram durante treze anos afirmando peremptoriamente que José havia sido devorado por bestas-feras do campo.

Mas, José havia quebrado este estigma familiar da mentira e do engano, decidiu formar uma família diferente. Jacó abençoou a Efraim duplamente (Gn 48.11-20). E José anulou e interrompeu a síndrome da mentira e do engano que havia em sua família desde a época de seu bisavô Abraão. No entanto, anos depois seus descendentes se envolveram num roubo de gado e foram mortos.

Nenhuma família da Bíblia é perfeita. Noé, Davi e famílias de reis e sacerdotes não deixaram exemplos aceitáveis para os padrões morais do cristianismo.

Efraim, decepcionado com os rumos que sua família tomou, lamentou a morte de seus dois filhos. Depois do luto, sua mulher engravidou e ele teve outro filho homem a quem chamou Berias: “Porque as coisas iam mal em sua casa” (1 Cr 7.23).

E aqui começa outro problema: Os pais costumam descarregar suas frustrações e desânimos na vida dos filhos. Em vez de colocar um nome positivo, que enchesse seu lar de esperança, Efraim incorreu no erro comum aos pais, descarregou no filho sua ira, seu descontentamento e sua falta de esperança, fazendo que o filho carregasse no seu nome a frustração familiar. Berias: As coisas não estão bem aqui em casa!

Mas, Efraim não está só nessa síndrome maldita de descarregar no filho os traumas da vida pessoal e da sua família. Ao que parece esse era um costume dos povos antigos.

Raquel, ao morrer, deu à luz um menino e o chamou de Benoni (Gn 35.18) “filho do meu sofrimento”, um nome negativo, que uma criança carregaria com amargura por toda vida ao saber que foi culpado pela morte da mãe, mas Jacó interferiu e mudou o destino do rapaz, chamando-o de Benjamim, fruto da valentia; do braço forte. Como se dissesse: Você não trouxe sofrimento, meu filho, você é fruto da Raquel corajosa e valente! E Benjamim cresceu como homem valente!

A mãe de Jabez colocou no filho um nome negativo: Dor, pesar (1 Cr 4.9) e Jabez mudou o quadro negativo de sua vida, orando a Deus que mudou seu destino de dor, para um destino de prosperidade e bênçãos.

A nora do sumo sacerdote Eli também teve um filho no meio de uma tragédia. Num mesmo dia a arca do Senhor foi roubada pelos filisteus, seu marido Finéias morreu, seu cunhado e seu sogro morreram também. Ao saber da tragédia ela entrou em dores de parto e deu à luz um menino a quem chamou de Icabô, “Foi-se a glória de Israel” (1 Sm 4.21). Acredito que enquanto Icabô ou Icabode viveu a arca esteve ausente de seu lugar, e isto demorou cerca de 60 a 70 anos.

Por que investir negativamente na vida dos filhos, quando é possível investir positivamente? Por que descarregar as frustrações e desânimos nos filhos quando a missão de pai é de abençoar e não de amaldiçoar? Não decida o futuro de seus filhos, quer dando-lhes nomes negativos ou pondo sobre eles sua amargura e dissabor!

Afinal, Deus deu um nome positivo ao seu filho: Jesus (Mt 1.21), “porque ele salvará o seu povo dos seus pecados”! Davi chamou seu filho de Salomão, mas Natã mudou o nome dele para Jedidias (2 Sm 12.25), por amor do Senhor.

Quando tudo vai mal, não se consegue ver o que vai bem.

Normalmente as coisas ruins encobrem a visão das coisas boas, e Efraim que teve dois filhos ladrões sequer percebeu que tinha uma filha, Seerá, que valia para ele mais que os dois filhos mortos, mas ele não enxergava isso (v 24). Ela foi uma mulher inovadora para sua época, pois construiu três cidades. “Efraim foi pai de uma filha chamada Seerá. Ela construiu as cidades de Bete-Horom-de-Baixo, Bete-Horom-de-Cima e Uzém-Seerá” (v 24).

Mas, o que pesou na vida de Efraim? O destino de dois filhos imprestáveis que eram ladrões de gado e não uma filha corajosa e determinada. Seerá recebe apenas uma linha das Escrituras, mas deixou como herança três cidades edificadas. Isto é, Seerá foi uma mulher de fibra e acima da mediocridade em que viviam as mulheres daqueles dias.

O que Efraim não conseguia divisar é que da sua descendência, lá no futuro, nasceria um homem que haveria de ser o salvador de Israel, Josué, cujo pai, Num, procede de Efraim. Sim, Josué, o homem que fez o povo entrar e possuir a Terra Prometida era descendente de uma família que viveu tragédias no passado.

Os pais devem sempre pensar positivamente a respeito do futuro de seus filhos. Houve tragédias? Sim! Mas os olhos dos pais devem mirar o futuro, e imaginar que um dia, um de seus descendentes haverá de ser uma pessoa que mudará a história de seu povo.

A Escritura afirma que Abraão viu os dias futuros; viu os dias de Jesus, os dias da Igreja e até mesmo a eternidade, porque Abraão “aguardava a cidade que tem fundamentos, da qual Deus é o arquiteto e edificador” (Hb 11.10).

Olhando adiante, sendo fiel hoje, certamente Deus honrará sua vida dando um herdeiro que mudará o destino da humanidade!

Creia!

Você apenas aponta o rumo certo; se seu filho seguir por outro caminho a culpa não é sua!

A banalização do Evangelho - Segunda Parte


Por Pastor Jonas Santana

Retomando o tema continuaremos a comparar evangélicos e católicos.

A família é a mola mestra da sociedade. A Igreja Católica até hoje não aceita o divórcio, uma vez casados, casados para sempre até que a morte os separe. Mesmo debaixo de críticas não mudaram seus dogmas. Mas, nós evangélicos, “os defensores da verdade”, aceitamos cada vez mais o divórcio, e muitos de nossos líderes dão o exemplo trocando sua esposa, e se justificam pregando que Deus aprova o divórcio.

Os templos estão cheios sim, aliás nunca se viu tanta gente frequentando igrejas evangélicas como agora. A grande diferença está no conteúdo: no passado o povo vinha por causa da Palavra e da Unção, hoje vêm porque é exatamente igual ao mundo onde elas vivem, não há mais troca a fazer, mas com a vantagem do cumprimento do dever religioso. A igreja moderna importou o mundo para dentro de suas quatro paredes, trazendo as tribos existentes: tribo dos surfistas, tribo dos metaleiros, tribo dos punks, tribo dos happers, tribo dos divorciados, etc...

João 4:16-18 – “Disse-lhe Jesus: Vai, chama teu marido e vem cá; ao que lhe respondeu a mulher: Não tenho marido. Replicou-lhe Jesus: Bem disseste, não tenho marido; porque cinco maridos já tiveste, e esse que agora tens não é teu marido; isto disseste com verdade.” Será que Jesus mudou, será que ele passou por uma modernização?

E o que dizer das denominações politizadas? A que não tiver ou apoiar um candidato ou um político não tem força; consideram ser de extrema importância a eleição de vereadores, deputados, senadores, porque afinal de contas a igreja terá muito a lucrar com isto. E muitos realmente tem lucrado milhares de Reais. Sim é importante a eleição de cristãos, mas nunca um pastor. Imaginem a Igreja Primitiva lançando a candidatura do Apóstolo Paulo a senador, afinal com um currículo destes: (Meus queridos, até parece os apóstolos do nossos dias) - II Coríntios 11:22-28

Na realidade o quadro da Igreja atual é esse:

Ezequiel 37:1-2 – “Veio sobre mim a mão do Senhor; ele me levou pelo Espírito do Senhor e me deixou no meio de um vale que estava cheio de ossos, e me fez andar ao redor deles; eram mui numerosos na superfície do vale e estavam sequíssimos.”

Há tanto barulho nas igrejas evangélicas: o povo pula, dança, bate palmas. Os pastores pregam com entusiasmo, gritam, batem nos púlpitos, mas a realidade é uma só: “eram mui numerosos na superfície do vale e estavam sequíssimos.”

Jeremias 13:14-15 - "Então, disse eu: Ah! Senhor Deus, eis que os profetas lhes dizem: Não vereis espada, nem tereis fome; mas vos darei verdadeira paz neste lugar. Disse-me o Senhor: Os profetas profetizam mentiras em meu nome, nunca os enviei, nem lhes dei ordem, nem lhes falei; visão falsa, adivinhação, vaidade e o engano do seu íntimo são o que eles vos profetizam. Portanto, assim diz o Senhor acerca dos profetas que, profetizando em meu nome, sem que eu os tenha mandado, dizem que nem espada, nem fome haverá nesta terra: À espada e à fome serão consumidos esses profetas."

No dia a dia os irmãos continuam com problemas graves nos seus lares, casamentos desfeitos, jovens em fornicação, empresários com negócios ilícitos, e assim por diante.

Há pastores se limitando ao seguinte comentário: “a culpa é do povo, não querem nada.” Que grande mentira! A culpa é dos pastores. Estão mais preocupados com a administração financeira, fechados em seus gabinetes, rodeados de segurança, muito longe do povo. Tente chegar perto de um apóstolo moderno, se conseguir driblar a segurança. Desde que o povo contribua generosamente para o programa de televisão, no satélite e na mídia, transformando os pastores e seus filhos em estrelas, então está tudo bem.

A pregação destes pastores é sempre na positiva, alegre, falando de sonhos, os quais serão “obrigatoriamente” realizados por Deus, se o crente pagar o carnê, ou fizer o depósito no banco. Todas as ações são centralizadas no homem e no seu bem estar.

Vejamos o que diz a Bíblia:

Jeremias 23:16, 21, 25, 26, 30, 31.

O quadro exposto até aqui é extremamente negativo, mas é real. Por isso eu creio de todo o meu coração ser esta é a hora de darmos um basta nesta situação.

Alguém disse: - “Se a Igreja não julgar a si mesmo, o mundo a julgará, se não acordar o governo a julgará e se ainda não acordar, então, Deus a julgará e a espada do Senhor será desembainhada.

Ezequiel 37:11 – “Então, me disse: Filho do homem, estes ossos são toda a casa de Israel. Eis que dizem: Os nossos ossos se secaram, e pereceu a nossa esperança; estamos de todo exterminados.”

Ainda há uma esperança: voltar a Palavra de Deus! Urgentemente voltar ao Evangelho do Reino de Deus, evangelho de renúncia, evangelho de perda, onde a vida não é tida por preciosa, contanto que seja possível fazer a vontade de Deus.

Ezequiel 37:3-10 - Aí está a resposta que precisamos!

Poderão reviver estes ossos? Há solução para a Igreja?

Resposta: Sim!

A vida vem de Deus, Ele é o autor da vida, sem Ele nada existe ou subsiste. Assim é a Igreja não pode permanecer sem Deus. Vamos profetizar sobre o vale de ossos secos. A solução não está em armas, nem em guerras, nem em difamações, muito menos em rebeliões, ou mesmo em levantes contra os pastores.

A solução está em PROFETIZAR - Anunciar a mensagem de Deus às pessoas. Então, vamos usar as armas espirituais a nossa disposição. A solução está na Palavra de Deus. Podemos entender profetizar como sendo o mesmo que orar. Então vamos entrar na presença de Deus e vamos levantar um clamor por um avivamento (eu não disse reavivamento - repito um avivamento) genuíno como nunca foi visto.

II Crônicas 7:14-15 – “se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e me buscar, e se converter dos seus maus caminhos, então, eu ouvirei dos céus, perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra. Estarão abertos os meus olhos e atentos os meus ouvidos à oração que se fizer neste lugar.”

Vamos anunciar a Palavra do Senhor, como o Profeta: “Ossos secos, ouvi a palavra do Senhor.”

O sistema existente em muitas igrejas é mundano, é usado porque não há unção e não há unção porque os pastores não gastam tempo na presença de Deus. É necessário voltar às nossas origens, deixando tudo o que é moderno e buscando o que é santo, puro, honesto e de boa fama. Perseverando na oração e no ministério da palavra.

Atos 2:2-4 - Precisamos reaver o modelo bíblico na Igreja, (Igreja aqui não é denominação, mas sim o corpo de Cristo), tendo os apóstolos sim, mas também tendo os profetas, os pastores, os evangelistas, os mestres, conforme está em Efésios 4:11-14.

Cada um desempenhado a sua chamada, todos inseridos no contexto do corpo de Cristo, querendo o crescimento deste corpo, não buscando seus próprios benefícios ou riquezas, cuidando uns dos outros, ninguém pode e deve estar sozinho. Ninguém é dono da Igreja, Cristo é o cabeça da Igreja e nós somos o seu corpo, e a Ele devemos estar submissos. Colossenses 1:18

Vamos acordar enquanto ainda há tempo!

João 11:40 - "Disse-lhe Jesus: Não te hei dito que, se creres, verás a glória de Deus?"

Fonte: Levando a Palavra de Deus às Nações

Como experimentar crescimento com qualidade?


Por Hernandes Dias lopes

Referência: Levítico 21.16-20

INTRODUÇÃO

1. Muitas vezes buscamos métodos para o crescimento da igreja, mas o método de Deus para o crescimento da igreja é sempre o homem. Deus não tem tantas regras. Deus tem um método e o método de Deus é VOCÊ.

2. E. M. Bounds disse que Deus não unge métodos, Deus unge homens. Nossa fé é muito mais do que um conjunto de regras e doutrinas. É sobretudo, relacionamento com Deus.

3. Esse texto nos mostra que os sacerdotes que ministravam no altar não podiam se contaminar nem ser imperfeitos. A vida do sacerdote é a vida do seu ministério. Um sacerdote impuro era uma grande calamidade (Zc 3:1-3).

4.Um sacerdote com defeito podia ser sustentado como sacerdote. Ele podia comer do pão do seu Deus, mas não podia ministrar no altar. Tanto o sacerdote como o sacrifício precisavam ser perfeitos. Ambos tipificavam Cristo.

5.O véu do templo foi rasgado. Agora todos somos sacrdotes. Todos podemos entrar para adorar. Mas, se queremos ter comunhão com Deus, se queremos ministrar no altar, precisamos não podemos ter certos defeitos.

6.Algumas pessoas pensam de forma errada que Deus se importa apenas com números. Caem no erro da numerolatria. Outros pensam de forma errada que Deus só se preocupada com qualidade e não com quantidade. Caem no erro da numerofobia.

7.Qualidade gera quantidade. Uma igreja saudável cresce. Não é o que fazer para crescer, mas o que nos impede de crescer.

8.Levítico 21 é um quadro que moostra o crescimento com qualidade. Ninguém com defeito pode chegar para oferecer o pão no altar. O ministério não é um título, um cargo, mas um relacionamento com Deus. Vejamos quem é que não serve para ministrar no altar:

I. NÃO SERVE AQUELE QUE É CEGO – V. 18

1.O cego é aquele que não tem visão

Aquele que não tem visão de crescimento não cresce. É preciso visão. Jesus disse para os seus discípulos: “Erguei os olhos e vede os campos, pois já branquejam para a ceifa” (Jo 4:35). Os cegos não servem. Há pessoas que têm capacidade, mas não têm visão. Eles não tem sonhos. Precisamos ter visão para crescer. Precisamos ter vontade de crescer. Um cego não tem visão.

2.Precisamos ter a visão de uma igreja grande

Precisamos ter a visão de uma igreja grande não para engordar a vaidade dos nossos membros. Não para dizermos que somos os melhores. Precisamos trabalhar para termos uma igreja grande para trazer glória ao nome de Deus, para impactar a cidade e a nação.

Se formos como um sacerdote cego a igreja não pode crescer. Sem visão o povo não sabe para onde vai.

3.Precisamos ter a visão além das paredes

Precisamos ter a visão de quebrar as paredes. Não podemos nos acomodar. Há muito povo nesta cidade. Temos que ter a visão de trazer os aflitos e deixá-los aos pés de Jesus.

Até 1970 as pessoas pensavam em ganhar outras para Cristo. Depois de 1970 houve uma forte ênfase em ganhar a família para Cristo. Depois de 1990, a ênfase passou a ser ganhar a cidade para Cristo. Uma igreja grande pode investir. Uma igreja grande pode ifluenciar.

4.Precisamos ter alvos claros de crescimento

Primeiro a visão, depois os recursos. Se não tivermos alvos e sonhos nós nunca vamos saber se chegamos até lá. Precisamos trabalhar em cima de alvos: físicos, espirituais e numéricos. Hoje, somos uma igreja com 850 membros. Quanto nós queremos crescer? Qualquer coisa é qualquer coisa. Precisamos ter alvos definidos. Exemplo: Paul Yong Cho

Precisamos ter o alvo de plantar igrejas, de termos novos membros sendo recebidos regularmente, de ampliarmos o nosso templo, de contruirmos o nosso prédio de educação religiosa.

Sacerdotes cegos não servem para levar a igreja ao crescimento.

II. NÃO SERVE AQUELE QUE É COXO – V. 18

1.O coxo é aquele que se arrasta

O coxo é aquele que tem pernas, mas as pernas não suportam o corpo. Então, ele se arrasta. O crente não pode se arrastar. Deus tem nos levantado. Nossas pernas não podem ser emperradas. Precisamos caminhar. Precisamos trabalhar. Precisamos fazer a obra de Deus enquanto é dia.

2.O coxo é aquele que precisa ser carregado pelos outros

O coxo não caminha sozinho. Ele é dependente. Ele precisa sempre de alguém para lhe transportar. Há crentes que nunca aprendem andar com suas próprias pernas. Eles não progridem, não amadurecem, sempre ficam aonde as pessoas os deixam.

Uma igreja não pode crescer quando os seus crentes são coxos, quando eles não andam, não caminham, não fazem a obra de Deus. O Senhor espera de nós frutos, muitos frutos.

III. NÃO SERVE AQUELE QUE TEM O ROSTO MUTILADO – V. 18

1.Aquele que tem o rosto mutilado tem duas caras

A igreja não pode crescer quando os seus sacerdotes, os seus crentes têm duas caras, usam máscaras. Não serve para estar fazendo a obra de Deus aquele que tem o rosto mutilado. Precisamos pregar o que vivemos dentro de casa, no trabalho. Precisamos pregar para nós mesmos. Não basta parecer santo na igreja e ser rude em casa e desonesto no trabalho.

O rosto mutilado é aquele que é uma coisa na igreja e outra em casa. Hoje muito discutimos sobre pastor de tempo integral e pastor de tempo parcial. Mais importante do que ser um obreiro de tempo integral é ser um obreiro integral. Não é uma questão de tempo, mas de vida. Devemos ser um só. O rosto mutilado não serve.

2.Não é a grandes talentos que Deus abençoa, mas pessoas íntegras

A vida do ministro é a vida do seu ministério. Podemos ter todos os dons, mas se não tivermos amor, nada disso nos aproveitará. A hipocrisia não funciona. Precisamos ser antes de fazer. Precisamos ter vida mais do que performance.

IV. NÃO SERVE AQUELE QUE É DESPROPORCIONADO – V. 18

1.Para a igreja crescer saudavelmente, os crentes não podem ser desproporcionados

Deus fez tudo perfeito e lindo. Ilustração: Certo dia vi um moço pedindo esmola, empurrando um carrinho. Corpo forte e as pernas fininhas. Desenvolveu o tronco, mas as pernas eram fracas. Às vezes crescemos numa área e somos doentes em outras. Temos áreas do nosso caráter que estão atrofiadas.

2.Uma superênfase num único ponto da verdade pode nos deixar desproporcionados

No livro de Ezequiel temos a figura de Jesus representada em quatro retratos. Ele é descrito como LEÃO, BOI, HOMEM E ÁGUIA. Mateus apresenta Jesus como o Leão. Aquele que tem toda autoridade no céu e na terra. Jesus é sempre o leão que está rugindo: ele ensina com autoridade, ele cura, ele expulsa demônios. Mas esse não é todo o rosto do Senhor. Há igrejas que só falam de Jesus como leão. Só falam de poder.

Em Marcos Jesus tem o rosto do BOI. Ele veio não para ser servido. Em Marcos Jesus é servo. A igreja tem o chamado para servir. Mas para crescer não basta apenas servir. Muitas igrejas dizem: Ah! Agora sim, vamos criar azilos, creches, orfanatos. Mas esse não é todo o rosto do Senhor.

Em Lucas Jesus tem o rosto do Homem. Ele chora, ri, participa de encontros, entra na casa dos publicanos. Aí alguns dizem: Tá aí o segredo: precisamos ter grupos, vamos desenvolver relacionamentos, vamos assistir as pessoas. Mas esse não é todo o rosto do Senhor.

Em João Jesus é a Águia, voa nas alturas. Ele é o Filho de Deus. Ele veio da glória. Há igrejas que vivem mergulhas nesse senso do sobrenatural. Mas esse não é todo o rosto do Senhor.

JESUS não era desproporcionado. Ele foi integral. Ele foi rei, servo, homem, Deus. Qual é a ênfase da pregação? Se tem uma pessoa enferma: autoridade. Se tem um casal em conflito: o rosto de homem. Se tem uma necessidade a ser suprida: o rosto de servo. Sem tem alguém perdido: o evangelho da salvação. Precisamos apresentar todo o evangelho. O desproporcionado está errado. Precisamos apresentar Jesus em toda a sua beleza.

V. NÃO SERVE AQUELE QUE TEM O PÉ QUEBRADO – V. 19

1.Aquele que tem o pé quebrado vive caindo

O coxo é diferente de quem tem o pé quebrado. O pé quebrado não fica em pé, está sempre caíndo. Vida cristã é uma caminhada. Aquele que está em pé veja que não caia. Os crentes têm caído nos mesmos pecados, têm envergonhado o evangelho.

Uma igreja não cresce quando os seus líderes, os seus membros têm o pé quebrado. Uma igreja não cresce quando os seus crentes vivem tropeçando. Uma igreja assim, não pode andar com o Senhor, nem ministrar no altar e impede o crescimento.

VI. NÃO SERVE AQUELE QUE TEM A MÃO QUEBRADA – V. 19

1.Aqueles que têm a mão quebrada não podem fazer a obra de Deus

Aqueles que têm as mãos quebradas não podem impor as mãos sobre os enfermos, não podem abraçar, abençoar, tocar, socorrer, ajudar. Precisamos orar levantando mãos santas, sem ira.

Somos uma raça de sacerdotes. Hoje todos somos ministros da nova aliança. Devemos ministrar uns aos outros, abençoar uns aos outros, consolar uns aos outros, exortar uns aos outros, orar uns pelos outros.

2.Aqueles que têm a mão quebrada não podem oferecer o pão de Deus

Eles não olham para a vida como uma liturgia ao Senhor. O culto não tem hora para acabar. O culto é a vida. Não existe: “Senhor agora entramos na tua presença”. Não estava antes? Não existe: “Continuamos em tua presença”. Vai sair depois?. A reunião começa e termina, mas o culto, não. O culto é a vida toda. Se a vida que vivemos fora do templo não é um culto ao Senhor, somos sacerdotes de mãos quebradas.

3.Aqueles que têm a mão quebrada não conseguem abençoar

Quando você abençoa outra pessoa, essa mesma bênção volta para você.

Precisamos abençoar as pessoas. Somos sacerdotes. O sonho de Deus é que abençoemos uns aos outros. Enquanto você abençoa outra pessoa, essa bênção volta para você. O eco responde para você com as mesmas palavras emitidas.

4.Quem tem mão quebrada não consegue trazer ofertas ao altar

Quem tem mão quebrada sempre comparece diante de Deus de mãos vazias. Quem tem mão quebrada não consegue ofertar nem traz os dízimos de Deus.

VII. NÃO SERVE AQUELE QUE É CORCOVADO – V. 20

1.O corcovado é profundamente pessimista

O corcovado anda olhando para baixo. O professor perguntou a um menino da classe: “O que é um pessimista?” O menino respondeu: “Um pessimista é uma pessoa que vive olhando para o pé”. Não podemos ser pessimistas, desanimados, só olhando os gigantes e fugindo deles.

2.Você é o melhor de Deus, a menina dos olhos de Deus

Você é alguém muito especial. Você é obra prima de Deus. Você é a menina dos olhos de Deus. Você é a herança de Deus, em quem Deus tem todo o seu prazer. Gente corcovada não pode ajudar a igreja crescer. Gente desanimada não consegue olhar para o céu. Gente corvada só olha para as dificuldades. Deus disse para Abraão: Sai da sua tenda e conta as estrelas: Uma, duas, mil, um milhão… assim será a tua descendência!

3.O corcovado anda sempre com um peso nas costas

Tem gente que só anda cansada. Só vive reclamando. Irmãos, não é o trabalho de Deus que cansa, é o pecado. O que cansa é o pecado. Se você ficar remoendo mágoa no coração, você pode tirar férias, passear, mas você vai estar sempre cansado.

Para a igreja crescer os crentes não pode ter peso sobre as costas. Não pode ter embaraço na vida. Toda hora você precisa estar pronto para testemunhar, para pregar, para viver e para morrer. Jesus era um homem livre, solto. Ele podia dormir mesmo na hora da tempestade. O líder, o crente não pode viver achatado, corcovado.

VIII. NÃO SERVE AQUELE QUE É ANÃO – V. 20

1.O anão é aquele que pára de crescer

Você não pode ser anão. Ninguém nasce anão. Não tem bebê que nasce com 10 centímetros. Há um momento que o anão pára de crescer. O líder não pode ser anão. O crente não pode ser anão. Nós precisamos crescer. Não podemos estagnar.

Quando o crente é um anão, tudo pára na sua vida. Você precisa crescer na Palavra, precisa crescer na oração, precisa crescer no envolvimento com a obra, precisa crescer nos relacionamentos.

Hoje você precisa ser melhor do que ontem. Amanhã, melhor do que hoje. Para frente é que você caminhar. Para o alto é que você deve crescer. O corvado cresce para baixo. O anão não cresce para cima.

IX. NÃO SERVE AQUELE QUE TEM BELIDA NOS OLHOS – V. 20

1.Quem tem pedra nos olhos vivem em grande desconforto

Há crentes que vivem sempre de forma desconfortável. Precisam remover as pedras dos olhos. Precisam tirar o que está trazendo sofrimento. Precisam remover o que está machucando.

2.Quem tem pedra nos olhos não consegue ajudar os outros

Jesus disse que se você tem uma trave no seu olho, você não consegue tirar o cisco no olho do seu irmão. Quando temos pedra nos olhos, tornamo-nos críticos dos outros, mas não podemos ajudar os outros a resolver os seus problemas.

3.Quem tem pedra nos olhos não enxergam as coisas com clareza

Jesus curou um cego, passando-lhe saliva nos olhos. Jesus perguntou: Vês alguma coisa? Sim, vejo os homens andando como árvores. Uma igreja para crescer, o pastor e os crentes não podem ver as pessoas como árvore. Ver as pessoas como coisas a serem exploradas. Não somos igreja para explorar as pessoas, mas para servi-las.

X. NÃO SERVE AQUELE QUE TEM SARNA – V. 20

1.Sarna é aquela coceira gostosa que nos distrai

Você já pegou um bicho de pé? Já ficou coçando, coçando e gostando de coçar? Uma igreja para crescer seus membros não podem ter sarna. O prazer para o crente é só aquele que Deus dá. Hoje há muitos prazeres que são sarna para você coçar. Distraem você. Roubam o seu tempo. O líder, o crente não pode ter sarna para coçar.

XI. NÃO SERVE AQUELE QUE TEM IMPINGEM – V. 20

1.Impingem é uma mancha

A igreja não pode crescer quando os seus crentes têm mancha na vida, no caráter, na conduta, na família, no trabalho.

Mancha é aquilo que tentamos esconder dos outros. É coisa feia. Exemplo: Naamã era um herói, mas leproso, tinha marcas feias na sua pele. Eliseu mandou ele tirar a armadura e mergulhar no Jordão. Antes de ser curado é preciso revelar a mancha.

Irmão, não pode ter mancha. Você precisa de vida limpa!

XII. NÃO SERVE AQUELE QUE TEM TESTÍCULO QUEBRADO – V. 20

1.Quem tem testículo quebrado não pode gerar filhos

Quem tem testículo quebrado não reproduz, não vai ter filhos. Somos chamados para gerar filhos, para darmos frutos. Precisamos gerar muitos filhos espirituais. Precisamos ganhar outros para Cristo.

A igreja precisa crescer e se multiplicar e para isso, cada crente precisa gerar outros filhos espirituais. Quantos filhos espirituais você tem? Quantas pessoas você já levou a Cristo? Quantas pessoas vão lhe esperar no céu para lhe abraçar e agradecer?

2.Deus se importa com quantidade

Você quer ver esta igreja crescer? Quer ver gente sendo salva todos os domingos? Quer se envolver nessa obra de consequências eternas? Quer gerar filhos em vez de ser apenas um expectador? Quer ser cooperador de Deus?

CONCLUSÃO

Que tipo de sacerdote você tem sido na Casa de Deus?

Você tem apenas se alimentado do Pão de Deus ou também tem se chegado ao altar para oferecer o Pão de Deus?

Sua vida tem sido irrepreensível ou você tem profanado o altar do Deus vivo?

Hoje é tempo de nos despertarmos! Nossa igreja pode crescer, precisa crescer, vai crescer. Você quer fazer parte desse desafio?

sábado, 23 de outubro de 2010

O perigo de confiar em seu cavalo


Por John Piper

Um comentário a respeito de Karl Marx me deixou a pensar sobre como as idéias moldam a vida. "Marx causou mais impacto nos eventos atuais, bem como na mente de homens e mulheres, do que qualquer outro intelectual nos tempos modernos. A razão para isso não é principalmente a atração de seus conceitos e metodologia, e sim o fato de que a filosofia dele tem sido institucionalizada em dois dos maiores países do mundo: Rússia e China". Em outras palavras, um dos fatores que preservam e prolongam a influência de idéias é o serem elas institucionalizadas.

Um exemplo espiritual deste fato é a teologia de Princeton (a visão reformada, calvinista, centralizada em Deus, fundamentada nas Escrituras e ensinada por homens como B. B. Warfield e Charles Hodge). Mark Noll destaca que "a teologia de Princeton fluiu da mente de seus representantes, mas jorrou para outros lugares por meio de instituições que transcenderam amplamente tais indivíduos". As instituições que Mark Noli tinha em mente era o próprio Seminário de Princeton (por mais de cem anos), a Universidade de Princeton (por grande parte do século dezenove), vários jornais estudantis de Princeton e a Igreja Presbiteriana. Durante quase cem anos (antes das influências da moderna falta de confiança nas Escrituras), essas instituições incorporavam e propagavam a visão teocêntrica e bíblica dos fundadores.

Surge a pergunta: o avanço da influência da verdade bíblica por meio de instituições humanas faz parte da vontade de Deus revelada nas Escrituras? Ou seja, falo de instituições como seminários, facul¬dades, escolas evangélicas, agências missionárias, editoras, compa¬nhias de teatro, boletins, hospitais, instituições de amparo, grupos musicais, centros de aconselhamento, conferências, acampamentos, jornais, associações evangelísticas, rádio e televisão.

A razão da urgência desta pergunta é que as instituições desenvolvem, por natureza, um poder auto-sustentável, oposto ao poder sustentador por parte de Deus. Existem expectativas humanas, empregados humanos, procedimentos, tradições, dinheiro, poder intelectual, propriedades, facilidades, reputação e uma clientela. Tudo isso pode fazer com que uma instituição continue funcionando, mesmo quando o Espírito Santo já se retirou. Deste modo, as instituições evangélicas podem se tornar contradições e artificialidades do poder divino que havia antes.

A Bíblia adverte repetidas vezes contra o confiar em poderes residentes na cultura humana (poder institucional). Por exemplo, Salmos 33.17: "O cavalo não garante vitória; a despeito de sua grande força, a ninguém pode livrar". Não podemos confiar no poder da instituição militar para dar livramento.

Por outro lado, a Bíblia não afirma que as instituições são, por esse motivo, más ou inúteis. Provérbios 21.31 declara: "O cavalo prepara-se para o dia da batalha, mas a vitória vem do SENHOR". Reconhecer que as instituições não constituem a força decisiva para o triunfo não significa que elas não são forças.

Deus nunca mandou Israel abolir seu exército, mas advertiu constantemente o povo a não confiar no exército, quando saíam à batalha. "Ai dos que descem ao Egito em busca de socorro e se estribam em cavalos; que confiam em carros, porque são muitos, e em cavaleiros, porque são mui fortes, mas não atentam para o Santo de Israel, nem buscam ao SENHOR!" (IS 31.1).

Parece-me que, neste mundo caído, as instituições são inevitáveis não somente onde as pessoas se estabelecem confortavelmente com estruturas autoconfiantes; elas são muito mais inevitáveis onde os crentes fervorosos sonham com novas maneiras de proclamar a glória de Cristo entre as nações. Por isso, espero que até à volta de Jesus sempre haja tensões entre os crentes a respeito de onde foram ultrapassados os limites entre a vida institucional ordenada por Deus, sustenta pelo Espírito, e o institucionalismo criado e sustentado pelo homem.

Portanto, estejamos alerta às possibilidades e às armadilhas das instituições. Se você faz parte de uma instituição, pondere estas coisas. Trabalhemos a fim de permear todas as nossas estruturas humanas com oração e sincera confiança em Deus, que "a todos dá vida, respiração e tudo mais" (At 17.25).