domingo, 16 de julho de 2017

JÓ E A FÉ NOSSA DE CADA DIA


Por Pr. Silas Figueira

Texto base: Jó 1.1,8;2.3

INTRODUÃO

Quando lemos a história de Jó nós deparamos com algo muito maior que uma questão de alguém bom passando por uma crise; nós nos deparamos com uma guerra cósmica. Nós nos deparamos com Satanás questionando o próprio Deus. A acusação feita por Satanás de que Jó ama a Deus só porque ele tem tudo e nada lhe falta é uma forma de ferir o caráter e integridade de Deus:

“Acaso não puseste uma cerca em volta dele, da família dele e de tudo o que ele possui? Tu mesmo tens abençoado tudo o que ele faz, de modo que todos os seus rebanhos estão espalhados por toda a terra. Mas estende a tua mão e fere tudo o que ele tem, e com certeza ele te amaldiçoará na tua face” (Jó 1:10,11 NVI).

Com isso Satanás, sem nenhum escrúpulo, ataca o caráter divino. Satanás está dizendo que o Senhor não é digno de ser amado em si mesmo, que as pessoas o seguem somente porque ganham algo com isso ou estão sendo “subornadas” para agir assim.

Por isso, quando lemos o livro de Jó devemos entender que o livro não fala de sofrimento, mas de fé. É a história de um homem que foi escolhido por Deus para passar por uma experiência penosa e estarrecedora através da tribulação. Sua reação apresenta uma mensagem que se aplica não somente a pessoas em sofrimento, mas a toda pessoa que vive na terra. É a história de todos nós. É a nossa fidelidade colocada à prova, seja na tribulação ou na bonança. Pois fidelidade a Deus independe de termos algo ou não, de estarmos com saúde ou doente. Fidelidade a Deus é na verdade um casamento, onde fazemos um juramento ao nosso cônjuge no altar diante do juiz e das testemunhas. É servir a Deus pelo o que Ele é e não pelo o que Ele dá e faz. Essa é a mensagem de Jó.

Quando lemos esses dois primeiros capítulos de Jó aprendemos algumas lições preciosas para as nossas vidas.

A PRIMEIRA LIÇÃO QUE APRENDO É QUE A FÉ NÃO É POR CONTRATO: FAÇA O BEM E SERÁ ABENÇOADO; FAÇA O MAL E SERÁ PUNIDO (Jó 1.1-5,8,2.3).

Quem dá testemunho de Jó é o próprio Deus diante dos santos anjos e de Satanás. O Senhor fala de Jó como um homem íntegro em sua fé. O Senhor o abençoava por ele ser um homem fiel, mas a fidelidade de Jó independia de ter ou não o que possuía e de ser ou não abençoado por Deus. Jó não havia feito um contrato com Deus: se me abençoar eu te sirvo, se não me abençoar eu lhe abandono. Jó não agia assim, embora muitas pessoas ajam assim com Deus nos dias hoje. 

1º - Em primeiro, lugar Jó era um homem que temia ao Senhor (Jó 1.1). Temer ao Senhor significa respeitá-lo por seu caráter, seus atos e suas palavras. Esse temor não é medo que faz o escravo encolher-se diante de seu senhor, mas sim a reverência amorosa de um filho diante do pai, um respeito que conduz à obediência [1]. Temor é o amor posto em prática através da reverência. Jó temia a Deus por O amava.

2º - Em segundo lugar, Jó era um homem de caráter (Jó 1.1). O texto nos diz que Jó era um homem integro e reto. Isso não quer dizer que ele não tinha pecado, mas que procurava andar de forma a glorificar a Deus diante da sua família e da sociedade em que vivia. A palavra “íntegro” quer dizer completo, pleno, sem hipocrisia ou duplicidade. Como nos diz Tiago 1.7,8:

“Não suponha esse homem que alcançará do Senhor alguma coisa; homem de ânimo dobre, inconstante em todos os seus caminhos” (ARA).

Jó era um homem em quem se podia confiar. Nele não havia maldade, ele era um homem sincero.  Etimologicamente, a palavra sincero vem de sincera, que é a junção de duas outras palavras do latim, “sine cera” e foi inicialmente utilizada pelos romanos. Isso porque os artesãos ao fabricarem vasos de barro, muitos se rachavam e para esconder tais defeitos, era usando para tal uma cera especial. “Sine cera” queria dizer “sem cera”, que era a qualidade esperada de um vaso perfeito, muito fino, que deixava ver através de suas paredes aquilo que guardava dentro de si. O vocábulo sincero evoluiu e passou a ter um significado muito elevado. Sincero, é aquele que é franco, leal, verdadeiro, que não oculta, que não usa disfarces, malícias ou dissimulações. Aquele que é sincero, como acontecia com o vaso, deixa ver através de suas palavras aquilo que está guardado em seu coração, sem nada temer nem ocultar. Jó era assim.

3º - Em terceiro lugar, Jó era rico, mas seu coração não estava na riqueza (Jó 1.3,21). Jesus já nos alertou que nós não podemos servir a dois senhores: “A Deus e as riquezas” ou “mamom” (Mt 6.24). A riqueza tem sido buscada muito hoje em muitas igrejas. As pessoas vão ao culto buscar uma bênção e não adorar a Deus. O lugar onde mamom tem sido mais adorado tem sido nas igrejas onde se prega o Evangelho da Prosperidade. Lá não existe mensagem de salvação, mas mensagem de enriquecimento, cura e libertação. As pessoas não saem com seus nomes escritos no Livro da Vida, mas com a certeza de que serão ricas e bem sucedidas nesta vida. Para estes pregadores a vida no provir não existe. Para eles o céu é aqui e agora.

Jó temia a Deus independentemente de ser rico ou não.

4º - Em quarto lugar, Jó ensinava o temor ao Senhor aos seus filhos (Jó 1.5,6). Jó era exemplo fora e dentro de casa. Ele não era crente somente diante dos homens, mas também diante da sua família. Jó não era como Naamã que era herói na sociedade, mas dentro de casa todos sabiam que ele era leproso. A integridade de Jó era vista por seus familiares. Jó levantava altares dentro de seu lar. Ele intercedia pelos seus filhos e os fazia se voltar para Deus em todo tempo. Ele orava pelos filhos e com os filhos.

A SEGUNDA LIÇÃO QUE APRENDO É QUE NINGUÉM ESTÁ LIVRE DAS ADVERSIDADES E CALAMIDADES DA VIDA (Jó 1.13-21; 2.4-7).

Jó, da noite para o dia perdeu todos os seus bens, todos os seus filhos e, algum tempo depois, a sua saúde. Jó ficou falido, desprovido da companhia dos filhos e por fim, ficou extremamente doente. E para piorar sua esposa desejou a sua morte e seus amigos o acusavam de pecado.

Quando as calamidades e adversidades vêm sobre uma pessoa boa sempre surge àquela velha pergunta: “Por que coisas ruins acontecem com pessoas boas?”

1º - Em primeiro lugar, é bom deixar claro que a única pessoa boa que esteve nessa terra foi o Senhor Jesus e, mesmo assim, sofreu mais que todos nós juntos. Ele morreu pelos nossos pecados, levou sobre si as nossas culpas, se tornou maldito em nosso lugar para que hoje nós fôssemos benditos do Senhor. Como nos diz Isaías:

“Foi desprezado e rejeitado pelos homens, um homem de tristeza e familiarizado com o sofrimento. Como alguém de quem os homens escondem o rosto, foi desprezado, e nós não o tínhamos em estima” (Isaías 53.3 – NVI).

2º - Em segundo lugar, coisas ruins acontecem com todas as pessoas, independente de serem boas ou não. O mundo é um lugar extremamente perigoso, basta lermos o Salmo 91 que veremos isso. Devido ao pecado, o homem mostrou a sua carranca maldosa e tem gerado o mal uns aos outros. Somos maus por natureza. Uns de forma mais intensa, outros menos, mas ninguém é bom, ninguém merece o Céu. Como disse o apóstolo Paulo: “Não há nenhum justo, nem um sequer; não há ninguém que entenda, ninguém que busque a Deus” (Romanos 3.10,11).

O mundo é um lugar perigosíssimo para se viver. Veja os noticiários de quantos assaltos, balas perdidas, sequestros, mortes e torturas. Isso sem contar com os nossos governantes que nos roubam e os juízes que julgam por causas próprias.

3º - E em terceiro lugar, nós temos um terrível adversário que é o diabo. Este tem como único objetivo trazer destruição ao ser humano. Ele só sabe fazer três coisas: “matar, roubar e destruir”; não há nele bondade alguma. Ele é um ser totalmente destituído de luz. Totalmente destituído de graça, mas se mostra como portador de luz e graça. Quem lhe dá ouvidos acaba com a vida destruída e está caminhando a passos largos para o inferno.

Ele é mentiroso desde o princípio, seduziu um terço dos anjos e enganou nossos primeiros pais e continua fazendo isso até hoje. Tentou o próprio Senhor Jesus no deserto, mas louvado seja o Senhor que o venceu, tanto no deserto quanto na cruz.

Observe o texto que quem tocou em Jó foi Satanás e não o Senhor. Foi o diabo que colocou em dúvida a integridade de Jó e não o Senhor. 

A TERCEIRA LIÇÃO QUE APRENDO É QUE SATANÁS SÓ PODE NOS TOCAR COM A PERMISSÃO DIVINA (Jó 1.12; 2.6).

Nas palavras de Martinho Lutero, “Satanás é um cachorro na coleira de Deus”.

Por mais estranho que pareça, Deus permite que o diabo nos toque. Muitas vezes nós não sabemos por que o Senhor permite isso, mas para tudo a um propósito divino nisso. No caso de Jó era para mostrar para o próprio diabo que é possível sim servir a Deus em meio às adversidades e calamidades da vida. Mas a pergunta insiste: “Por que Deus permite que Satanás nos toque?” Nós não temos todas as respostas, mas podemos enumerar algumas.

1º - Deus permite que Satanás nos toque para o nosso crescimento espiritual. As adversidades provocadas por Satanás em nossas vidas servem como um purificador da nossa fé. Assim como o ouro precisa passar pelo fogo para tirar as impurezas do mesmo modo, o Senhor deixa o diabo nos tocar para purificar a nossa fé. Para termos uma fé sadia, bem firmada e não uma fé trôpega.

Uma fé sadia é uma fé firmada em valores esternos e não em coisas passageiras. O apóstolo Paulo escrevendo aos Filipenses 4.10-13 diz assim:

“Alegrei-me, sobremaneira, no Senhor porque, agora, uma vez mais, renovastes a meu favor o vosso cuidado; o qual também já tínheis antes, mas vos faltava oportunidade. Digo isto, não por causa da pobreza, porque aprendi a viver contente em toda e qualquer situação. Tanto sei estar humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez; tudo posso naquele que me fortalece”

A fé nos leva crescer e deixar a meninices espirituais. A fé madura nos faz aprender e por em prática o aprendizado. É essa fé que o Senhor quer de cada um de nós. 

2º - Deus permite que Satanás nos toque para não nos esquecermos que estamos em guerra. O Reverendo Hernandes Dias Lopes diz que a vida não é colônia de férias. Paulo escrevendo aos Efésios 6.10-18 nos diz que devemos estar revestidos de toda armadura de Deus para podermos ficar atentos contra as ciladas do diabo. Porque a qualquer momento pode vir o dia mal.

O diabo arma ciladas. Esta palavra no grego é metodeia de onde vem a palavra método. Para cada pessoa, ele usa uma estratégia diferente. Ele ousa mudar os métodos.

Por isso que o Senhor nos leva para o campo de batalha espiritual para nos treinar para vencermos o diabo e seus ardis. Para aprendermos a usar o escudo da fé, e entendermos que a vida espiritual está acima da nossa compreensão. Se há uma guerra aqui na terra, saiba que também há uma peleja também no céu.

Em segunda Coríntios 2.11 Paulo nos diz: “para que Satanás não alcance vantagem sobre nós, pois não lhe ignoramos os desígnios”.

Há dois erros que muitos cristãos cometem quando se trata de batalha espiritual. Um é superestimar Satanás, o outro é subestimar Satanás. Com o diabo não se brinca, mas não devemos temê-lo, pois ele já foi vencido na cruz do calvário por nosso Senhor Jesus Cristo. Veja o que Tiago 4.7 nos fala: 

“Sujeitai-vos, portanto, a Deus; mas resisti ao diabo, e ele fugirá de vós”.

A nossa vitória está na nossa sujeição a Deus e não na nossa própria força.

3º - Deus permite que Satanás nos toque para firmar a nossa fé. Satanás insinuou que Jó só servia a Deus porque tinha tudo de bom e de melhor, que se tudo lhe fosse tirado ele blasfemaria diante de sua face (Jó 1.11). Essa mesma insinuação continua hoje. Para o diabo Jó amava mais o dinheiro que a Deus, mais a sua família que a Deus, mais a sua saúde que a Deus, mais a sua reputação que a Deus. E nós? Quem nós amamos mais? Não que Deus não saiba, mas nós precisamos saber quem nós amamos mais.

Em que e em quem a nossa fé está firmada? Jesus nos deixou um sério alerta em Mateus 10.34-38:

“Não penseis que vim trazer paz à terra; não vim trazer paz, mas espada. Pois vim causar divisão entre o homem e seu pai; entre a filha e sua mãe e entre a nora e sua sogra. Assim, os inimigos do homem serão os da sua própria casa. Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim não é digno de mim; quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim não é digno de mim; e quem não toma a sua cruz e vem após mim não é digno de mim” (ARA).

A nossa fé está no Senhor e só a Ele devemos amar mais que todas as coisas.

4º - Deus permite que satanás nos toque porque Ele quer nos mostrar quem são os nossos verdadeiros amigos na hora da prova. Amigo não é aquele que concorda com a gente em tudo, mas é aquele que ousa discordar de nós também. Amigo é aquele que, por amor, nos aconselha, nos mostra onde estamos errando e está do nosso lado nos tempos bons e nos tempos maus.

Amigos de Jó há muitos por aí. Gente que está ao nosso lado nos dias bons, mas nos dias maus são verdadeiros acusadores de pecados que não cometemos. É na adversidade que conhecemos os nossos verdadeiros amigos.

5º - Deus permite que Satanás nos toque porque Ele quer que o conheçamos não na teoria, mas na prática (Jó 42.5,6). Há muitas pessoas que foram criadas desde a infância na igreja, mas nunca tiveram uma experiência real com o Senhor. A vida cristã é mais que guardar a Lei do Senhor, é uma vida de intimidade com Deus.

Em nossas igrejas hoje há muitas pessoas piedosas, mas que não conhece a Deus como Ele é. E é através de uma experiência muitas vezes amarga que descobrimos quem é o Senhor. Como disse Timothy Keller:

“Na teoria, eu sempre soube que Jesus é tudo que alguém precisa para seguir adiante. Mas ninguém sabe de verdade que Jesus é tudo do que a pessoa precisa até que Jesus seja a única coisa que lhe resta”.

6º - Deus permite que Satanás nos toque por causa do pecado. Como dizem os neopentecostais: tem gente que dá legalidade ao diabo. Há muitas pessoas brincando com o pecado e depois sofrem as suas consequências. O Senhor permite que o diabo venha e toque porque tal pessoa está em desobediência.

Não brinque com o pecado. Não brinque com as coisas de Deus. Não brinque com o sagrado. Não profane o templo do Espírito Santo que é você.

QUARTA LIÇÃO QUE APRENDO É QUE PODEMOS PASSAR POR VÁRIAS PROVAÇÕES, MAS SEM PECAR (Jó 1.22; 2.10c).

O pecado é uma opção. Diante das provas da vida nós temos dois caminhos: o da fidelidade ou o da infidelidade a Deus. Em Apocalipse 16.8-11 nos diz que diante do sofrimento que está por vir os homens blasfemarão o nome do Senhor:

“O quarto anjo derramou a sua taça sobre o sol, e foi-lhe dado queimar os homens com fogo. Com efeito, os homens se queimaram com o intenso calor, e blasfemaram o nome de Deus, que tem autoridade sobre estes flagelos, e nem se arrependeram para lhe darem glória. Derramou o quinto a sua taça sobre o trono da besta, cujo reino se tornou em trevas, e os homens remordiam a língua por causa da dor que sentiam e blasfemaram o Deus do céu por causa das angústias e das úlceras que sofriam; e não se arrependeram de suas obras”.

Jó andou totalmente na contramão de tudo isso. Diante da dor e da calamidade ele não pecou, mas se arrependeu no pó e na cinza (Jó 42.6).

Timothy Keller diz que às vezes, o objetivo do sofrimento é disciplinar e corrigir padrões errados (como no caso de Jonas, castigado pela tempestade); às vezes, seu objetivo é não é corrigir erros passados, mas prevenir erros futuros (como no caso de José vendido como escravo); outras vezes, o único propósito é nos levar a amar Deus com mais fervor simplesmente por quem Ele é, e, assim, encontrarmos paz e liberdade absolutas [2].

Quando se tem essa maturidade espiritual nós não caímos na tentação do pecado. Podemos não entender o que está acontecendo, mas não nos deixamos levar pela situação. Por isso eu quero deixar três conselhos quando você estiver diante de uma situação como a de Jó ou semelhante a esta.

1º - Cale a boca. É isso mesmo, cale a sua boca. Pensar você até pode, mas não abra a sua boca para falar contra Deus. Isso é muito comum, mas não faça tal coisa. você pode minar a fé de alguém com essa atitude (Sl 73.13,14).

Uma vez eu fui a um velório de um senhor. A filha do falecido alisava o rosto do pai morto e dizia assim: “Que pecado Deus cometeu contigo!”. “Ele não podia ter feito isso”. Ao ver isso eu lhe disse que Deus não peca e que se Ele o levou é porque Ele tem toda autoridade sobre tudo. Ela podia até chorar pela perda do pai, mas não tinha o direito de pecar contra o Senhor.

2º - Busque ao Senhor em oração (Sl 73.16,17). Meu irmão, na hora da adversidade vá orar. Vá buscar a face do Senhor, pode ser que Ele lhe revele o porquê de tudo isso. Mas independentemente dele lhe revelar ou não, através da oração o Senhor acalma o nosso coração e ameniza a dor.

3º - Repreenda a voz do diabo em seu ouvido. O diabo é como o vírus do herpes que ataca quando a imunidade do corpo está baixa, da mesma forma o diabo é oportunista diante da nossa baixa imunidade espiritual. Por isso repreenda a sua voz tentando nos desestabilizar diante da crise.

A voz do diabo na vida de Jó foi a sua mulher e os seus amigos, mas ele não se deixou levar por eles em momento algum. Por isso vigie e lute contra isso.

CONCLUSÃO

O que Jó passou só nos mostra que a vida é muito dura e estamos sujeitos a tudo nesta vida. Quando lemos o livro de Jó devemos entender que o livro não fala de sofrimento, mas de fé. É a história de um homem que foi escolhido por Deus para passar por uma experiência penosa e estarrecedora através da tribulação. Sua reação apresenta uma mensagem que se aplica não somente a pessoas em sofrimento, mas a toda pessoa que vive na terra. É a história de todos nós. É a nossa fidelidade colocada à prova, seja na tribulação ou na bonança. Pois fidelidade a Deus independe de termos algo ou não, de estarmos com saúde ou doente. Fidelidade a Deus é na verdade um casamento, onde fazemos um juramento ao nosso cônjuge no altar diante do juiz e das testemunhas. É servir a Deus pelo o que Ele é e não pelo o que Ele dá e faz. Essa é a mensagem de Jó.

Pense nisso!

Fonte:

1 – Wiersbe, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo – Volume III, Poéticos. Editora Geográfica, Santo André, SP, 2012: p. 8.
2 – Keller, Timothy. Caminhando Com Deus em Meio à Dor e ao Sofrimento. Edições Vida Nova, São Paulo, SP, 2016: p.62.

domingo, 9 de julho de 2017

O PERIGO DE NOS ESQUECERMOS DE QUEM NOS DEU TUDO O QUE TEMOS



Por Pr. Silas Figueira

Texto Base: Deuteronômio 6.1-25

INTRODUÇÃO

Quando o povo de Israel estava prestes a entrar na terra prometida, Moisés, o grande líder do povo, chamou o povo para lhes dar os últimos conselhos e lembrar-lhes tudo que já havia lhes falado. Neste episódio, Moisés faz um grande alerta que serve para todos nós ainda hoje: “o perigo de nos esquecermos de quem nos deu o temos”.

A cena pode ser antiga, mas a mensagem é muito moderna. As pessoas que estavam diante de Moisés era a nova geração de hebreus, pois os de vinte anos para cima havia morrido no deserto durante os quarenta anos de peregrinação. Os únicos sobreviventes foram Josué e Calebe. Naquela nova geração os mais velhos tinham em média sessenta anos. Essa era uma geração muito jovem e poucos eram os que se lembravam dos grandes feitos que o Senhor havia feito no Egito para libertar o Seu povo. Por isso que Moisés chama a si a todos para lhes alertar do perigo que corriam, pois eles estavam prestes a tomar posse da terra que o Senhor havia prometido dar quando fez esse juramento a Abraão (Dt 6.10).

Aquela nova geração iria tomar posse de cidades que não edificaram, de vinhas que não plantaram, de poços que não haviam aberto. Em outras palavras, eles receberiam tudo pela qual não lutaram. Que grande perigo essa nova geração corria de se tornarem mimados. Pois o povo receberia muito em breve tudo isso a troco de nada (embora eles fossem lutar para conquistar a terra), mas estava tudo pronto eles não teriam que construir nada, plantar nada... Tudo estava pronto.

Essa era a grande armadilha que eles corriam: o perigo esquecer-se do Senhor Seu Deus.

Assim como o Senhor alertou o Seu povo através de Moisés, o Senhor também nos alerta hoje. Não pense nem por um instante que sequer que o Senhor não se interessa pela conduta dos seus escolhidos. Corremos os mesmos perigos dessa nova geração que estava diante de Moisés. Corremos o perigo de nos esquecermos do Senhor por causa da prosperidade. Corremos o perigo de pensamos que por termos tudo somos melhores que os outros. Cuidado com esse pensamento.

Analisando esse texto, nós podemos tirar algumas lições preciosas para nós hoje.

A PRIMEIRA LIÇÃO QUE APRENDO É QUE TER TUDO DE FORMA FÁCIL PODE NOS FAZER ESQUECER QUEM NOS DEU TUDO (Dt 6.10-12).

Moisés alerta essa nova geração do perigo de se esquecerem do abençoador diante da facilidade da bênção adquirida. Observe o verso 12: “guarda-te, para que não esqueças o SENHOR, que te tirou da terra do Egito, da casa da servidão”. Diante desse texto podemos tirar duas lições preciosas:

1º - A gratidão é um dom esquecidos por muitos. Vigie para que vocês não venham se esquecer de quem lhe tirou da terra do Egito e lhes deu essa boa terra. Não se esqueçam do Senhor, foi Ele quem lhes deu tudo isso, disse Moisés.

Quem é grato não esquece, mas o ingrato nunca se lembra. O ingrato é o tipo de pessoa que é extremamente egoísta, só olha para o seu próprio umbigo e quando levanta os olhos é para pedir alguma coisa. Mas ele mesmo não sabe dizer muito obrigado pelo bem recebido.

Veja por exemplo a cura dos dez leprosos em Lucas 17.11-19, de dez curados somente um voltou para agradecer. E isso não mudou de lá para cá, continua a mesma coisa.

a) Observe que existem mais pessoas que recebem benefícios da parte de Deus que quem chega diante dele para agradecer.

b) O número de pessoas que oram é maior que o número de pessoas agradece.

c) Existem mais pessoas que creem e recebe a bênção do que as que voltam para dizer muito obrigado.

Israel corria o risco de se tornar uma nação ingrata. Uma nação que não se lembraria de quem os havia libertado da terra da servidão e os levado para a terra que havia jurado que daria aos descendentes de Abraão, Isaque e Jacó. E, infelizmente, Israel se esqueceu do Senhor e passou a seguir outros deuses.

Ingratidão, quem a pratica não tem sentimento, quem a recebe se entristece amargamente.

2º - Devemos vigiar para não nos tornamos pessoas ingratas também. A ordem de Moisés foi muito clara: “guarda-te”, vigie o seu coração para não cair nessa terrível armadilha.

Para muitas pessoas, Deus é alguém que só serve para períodos tensos e de ameaças de morte. Geralmente pessoas que pensam assim não dão lugar e, muitos menos, têm tempo para Deus em suas vidas. Só o buscam quando se encontram em grande perigo, mas depois do livramento, dEle não se lembram mais.

Por isso devemos tomar muito cuidado para não cairmos no mesmo erro, tanto dos israelitas como a dos nove leprosos.

A nossa vitória está no Senhor e dEle seremos sempre dependentes. Como nos fala o Salmo 33.17-22:

“Não há rei que se salve com o poder dos seus exércitos; nem por sua muita força se livra o valente. O cavalo não garante vitória; a despeito de sua grande força, a ninguém pode livrar. Eis que os olhos do SENHOR estão sobre os que o temem, sobre os que esperam na sua misericórdia, para livrar-lhes a alma da morte, e, no tempo da fome, conservar-lhes a vida. Nossa alma espera no SENHOR, nosso auxílio e escudo. Nele, o nosso coração se alegra, pois confiamos no seu santo nome. Seja sobre nós, SENHOR, a tua misericórdia, como de ti esperamos”.

Você pode até receber ingratidão, mas em nome do Senhor, não seja ingrato. Lembre-se do Senhor.

A SEGUNDA LIÇÃO QUE APRENDO É QUE OBTER ALGUMA COISA A TROCO DE NADA PODE NOS LEVAR À IRRESPONSABILIDADE (Dt 6.10-12).

Essa irresponsabilidade se transforma na síndrome da criança mimada. A criança tem brinquedos demais, luxo demais, tudo adquirido com grande facilidade e isso induz a irresponsabilidade. Pois afinal de contas ela não lutou por alcançar nada naquilo.

Eu sou de uma geração que tudo que adquiri foi com muito esforço. Se eu queria algo eu deveria lutar por alcançar, eu deveria trabalhar para conquistar o que desejava. Hoje, infelizmente, nós temos visto muitos jovens tendo tudo, mas sem o mínimo de esforço para alcançar. Por isso que não valorizam nada, não se importam com nada e acham que são merecedores de tudo. Temos visto uma geração de jovens que receberam tudo “de mãos beijada”, por isso não sabem o quanto foi difícil para os seus pais conquistarem o que conquistaram.

1º - Quem recebe as coisas de forma muito fácil, muitas vezes, não dão o devido valor do que recebeu. Israel iria entrar na terra que manava leite e mel. Iria tomar posse da boa terra que lhes daria tudo, inclusive cidades edificadas, vinhas plantadas, poços cavados. Eles não teriam nenhum trabalho para edificar, plantar e nem cavar poços. Estava tudo ali a disposição deles.

Devido a isso, eles corriam o risco de se tornar um povo mimado, que não daria o devido valor a tudo aquilo que estava diante deles. Corria o risco de não glorificar ao Senhor por todo bem adquirido, reconhecendo que fora a boa mão do Senhor que estava sobre eles. Que tudo aquilo era o cumprimento de uma promessa que o Senhor havia feito a Abraão, Isaque e a Jacó. Que tudo aquilo era como se fosse o pagamento pelos anos de escravidão que haviam passado no Egito. Literalmente era a graça de Deus sendo derramada sobre a vida dos seus servos. 

E isso é o que mais temos visto hoje. Pais que se esforçam para dar aos filhos as melhores escolas, as melhores roupas, os melhores celulares... E quantos filhos recebem isso com desdém, e o pior, acha que isso é obrigação dos pais.

O que temos visto hoje em dia são jovens fúteis, mimados, ainda cheirando a leite e todinho; um bando de jovens que não valorizam seus pais e o esforço deles em tentar lhes proporcionar o melhor. E o pior, agem assim dentro da igreja e pensam que Deus é um pai bonachão que deve lhes dar tudo também, afinal eles são “príncipes e princesas do Senhor”. 
    
2º - Quem recebe as coisas de forma muito fácil, muitas vezes, não cuida do que recebeu. Os hebreus iriam receber tudo do bom e do melhor. Preste atenção no que o Senhor daria para os seus servos:

“Havendo-te, pois, o SENHOR, teu Deus, introduzido na terra que, sob juramento, prometeu a teus pais, Abraão, Isaque e Jacó, te daria, grandes e boas cidades, que tu não edificaste; e casas cheias de tudo o que é bom, casas que não encheste; e poços abertos, que não abriste; vinhais e olivais, que não plantaste” (Dt 6.10,11).

O mínimo que eles deveriam fazer era cuidar de tudo aquilo com muito zelo, sabendo que o Senhor lhes havia dado. Em cada casa que entrassem, cada uva que colhessem, cada copo d’água que tomassem deveriam se lembrar de que a boa mão do Senhor os havia dado tudo aquilo, então eles deveriam ser zelosos por tudo aquilo.

Cuidar significa se importar. Significa que é grato pelo bem recebido. Entende o significado do carinho recebido.

O Filho Pródigo é um bom exemplo que você pode receber tudo de forma muito fácil e não cuidar do que recebeu. Ele simplesmente esbanjou tudo o que o pai havia lhe entregue. Ficou na total miséria.

Tudo que vem fácil vai embora da mesma forma! 
   
A TERCEIRA LIÇÃO QUE APRENDO É QUE A ATITUDE DESCUIDADA CONDUZ À PERDA DOS PADRÕES DE FIDELIDADE (Dt 6.13-19).

A ordem de Moisés ao povo era para que eles jamais se esquecessem de quem lhes havia dado tudo aquilo. Aquela era a segunda geração de israelitas dos que saíram do Egito. Eles deveriam se lembrar do Senhor o do bem adquirido através dEle.

O texto é claro em avisar para que eles, ao entrarem na terra, não se envolvessem com os deuses dos cananeus (v. 14), e lhes avisou das consequências se isso viesse ocorrer (v. 15). O Senhor estava alertando essa nova geração de israelitas para não se perderem diante da prosperidade adquirida. Diante dos deuses dos pagãos e diante do povo da terra. Mas, infelizmente, foi isso que ocorreu, a terceira geração se desviou completamente do Senhor. Veja o que nos fala o Livro de Juízes 2.6-15:

“Havendo Josué despedido o povo, foram-se os filhos de Israel, cada um à sua herança, para possuírem a terra. Serviu o povo ao SENHOR todos os dias de Josué e todos os dias dos anciãos que ainda sobreviveram por muito tempo depois de Josué e que viram todas as grandes obras feitas pelo SENHOR a Israel. Faleceu Josué, filho de Num, servo do SENHOR, com a idade de cento e dez anos; sepultaram-no no limite da sua herança, em Timnate-Heres, na região montanhosa de Efraim, ao norte do monte Gaás. Foi também congregada a seus pais toda aquela geração; e outra geração após eles se levantou, que não conhecia o SENHOR, nem tampouco as obras que fizera a Israel. Então, fizeram os filhos de Israel o que era mau perante o SENHOR; pois serviram aos baalins. Deixaram o SENHOR, Deus de seus pais, que os tirara da terra do Egito, e foram-se após outros deuses, dentre os deuses das gentes que havia ao redor deles, e os adoraram, e provocaram o SENHOR à ira. Porquanto deixaram o SENHOR e serviram a Baal e a Astarote. Pelo que a ira do SENHOR se acendeu contra Israel e os deu na mão dos espoliadores, que os pilharam; e os entregou na mão dos seus inimigos ao redor; e não mais puderam resistir a eles. Por onde quer que saíam, a mão do SENHOR era contra eles para seu mal, como o SENHOR lhes dissera e jurara; e estavam em grande aperto”.

Esse é o grande problema que enfrentamos hoje. A nova geração de crentes não tem a mesma fidelidade, o mesmo zelo e a mesma identificação com Cristo como a geração passada. O que mais vemos por aí são jovens e adultos descompromissados com a verdade do Evangelho. E a culpa é da nova geração de líderes que está surgindo hoje. Grande parte da liderança cristã passou a acreditar e a ensinar que a relação entre Deus e o homem é algo pautado na busca de sensações, emoções, bênçãos individuais, diversão, relacionamentos e prazeres temporais. O importante hoje é a promoção de um ambiente ‘cool’ para chamar a atenção do jovem e segurá-lo na igreja custe o que custar.

Para tanto, negocia-se a mensagem, a forma de culto, o conteúdo das músicas, a centralidade de Cristo, e tudo mais que possa compor a experiência da pessoa que estará presente na igreja. O problema é que quando subestimamos a eficiência da pregação da mensagem do evangelho e passamos a buscar complementos que, supostamente, venham suprir as expectativas daqueles que frequentarão nossos cultos, estamos assumindo, ainda que inconscientemente, a insuficiência da cruz de Cristo para redenção de todas as necessidades da vida humana.

1º - Fidelidade a Deus é mais que frequentar uma igreja (Dt 6.13-15,17). Tem gente que é fiel a igreja que frequenta, mas não é fiel a Deus. Devemos ter compromisso com as nossas igrejas e também com a liderança das mesmas, mas antes devemos ter compromisso com Deus. Os homens falham, se desviam da verdade, traçam caminhos que levam para longe da verdade. Por isso, quando temos compromisso, em primeiro lugar, com o Senhor e com a Sua Palavra, nós não nos deixamos levar pelo engodo dos homens. O privilégio sempre vem acompanhado de responsabilidade, e a responsabilidade de Israel era temer ao Senhor e obedecê-lo. 

2º - Fidelidade a Deus envolve confiança plena no Senhor (Dt 6.16). Massá e Meriba significam “teste e condenação”. Encontramos esse episódio em Êx 17.1-7 onde os israelitas estavam com sede e questionaram com Moisés se o Senhor estava no meio deles ou não. A adversidade revela a nossa fé. É muito fácil ser crente fiel em tempo de bonança, mas devemos ser fiéis em todo tempo. Jó é um exemplo disso. Mesmo diante de tudo que passou ele não pecou (Jó 1.22).

Essa nova geração de crentes tem colocado o Senhor à prova constantemente. Observe como os líderes midiáticos têm ensinado os seus seguidores a orarem. Geralmente é “determinar”, “ordenar”, “tomar posse”, “reivindicar”, é por aí vai.
Entenda uma coisa meu irmão, o Senhor prova a nossa fé não somente nas grandes crises da vida, mas ainda mais nos pequenos acontecimentos inesperados, que pode ir de um atraso e a perda da condução a uma enfermidade súbita que pela qual podemos ser acometidos. A maneira como reagimos a essas situações indicará o que há em nossos corações.

3º - A fidelidade a Deus tem as suas consequências (Dt 6.18,19). O que o homem planta isso ele colhe (Gl 6.7,8). E isso é uma lei espiritual. O Senhor tem compromisso com a Sua Palavra e com o que Ele nos prometeu, o problema é que muitos líderes estão falando e prometendo o que o Senhor não disse e acham que o Senhor tem obrigação de fazer o que eles querem.

QUARTA LIÇÃO QUE APRENDO É QUE PARA SALVARMOS A PRÓXIMA GERAÇÃO DEVEMOS TESTEMUNHAR PARA ELES DOS FEITOS DO SENHOR EM NOSSAS VIDAS (Dt 6.20-25).

Testemunhar é mais do que falar, é viver. As palavras nem sempre permanecem, mas o exemplo sim. A próxima geração precisa ver em nós um exemplo de fidelidade a Deus e não apenas palavras. Isso quer dizer que mais que ir à igreja, devemos ser a igreja.

Observe que o futuro reserva a continuidade da fé e não devemos deixar que esta fé esfrie e se desvie do Senhor. Essa é uma responsabilidade nossa. Mas para isso é necessário três coisas:

1º - Devemos manter a fé vida dentro de nós (Dt 6.20-23). “Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que veem” (Hb 11.1 – ACF). Como podemos falar de algo que não cremos ou que duvidamos? A fé deve ser viva, firme e inabalável. Como nos fala o Salmo 125.1:

“Os que confiam no SENHOR serão como o monte de Sião, que não se abala, mas permanece para sempre”.

2º - Devemos perseverar na doutrina do Senhor (Dt 6.24). A fé que devemos transmitir deve estar embasa na doutrina e não em achismos comuns hoje em dia em nosso meio. A Bíblia nos fala que a Igreja Primitiva permanecia firme na doutrina dos apóstolos (At 2.42). Permanecer na doutrina implica em cuidado em observar o que foi ensinado. Por isso devemos ser como os crentes de Bereia que observavam as Escrituras para ver se o que Paulo ensinava tinha procedência (At 17.11).
  
3º - Devemos crer no cuidado do Senhor por nós (Dt 6.25). O Senhor Jesus antes de ser recebido aos céus deixou estas palavras:

“Eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém”. (Mt 28.20 – ACF).

Deus tem cuidado de nós todos os dias. Ele não nos desampara e cuida de cada um de nós, ainda que não percebamos muitas vezes o seu cuidado. Mas para que isso ocorra é necessário permanecer fiel a Ele. O Senhor não tem responsabilidades com quem não tem responsabilidade com Ele. Há muitos crentes nominais, mas são poucos os que levam o Senhor a sério. Entenda uma coisa meu irmão, de Deus não se zomba.

Essa mensagem de renovo deveria ser transmitida a nova geração para que ela não se perdesse se esquecendo do Senhor. E para que esta nova geração seja salva devemos contar do cuidado de Deus para com cada um de nós. Como nos fala a segunda estrofe do hino 7 do Cantor Cristão:

Já nossos pais nos contaram a glória
De Deus, falando com muito prazer,
Que nas tristezas, nos grandes perigos,
Ele os salvou por seu grande poder.

CONCLUSÃO

Um dos maiores perigos que corremos é nos apegarmos às bênçãos do Senhor e não ao Senhor da bênção. Israel corria esse risco, pois estavam para entrar na terra que tinha tudo a lhes oferecer. Eles corriam o perigo de se tornarem ingratos, infiéis, e o pior se envolverem com outros deuses. Mas infelizmente tudo isso veio a acontecer e as consequências foram terríveis, mas não foi por falta de aviso do Senhor.

Da mesma forma hoje, nós corremos esse mesmo perigo. Como disse o apóstolo Paulo em 1 Coríntios 10.11,12:

“Estas coisas lhes sobrevieram como exemplos e foram escritas para advertência nossa, de nós outros sobre quem os fins dos séculos têm chegado. Aquele, pois, que pensa estar em pé veja que não caia” (ARA).

Essas palavras de Moisés é uma advertência para nós hoje, por isso, não despreze as palavras do Senhor para você hoje. Vigie para não ser uma pessoa próspera, mas sem a graça do Senhor sobre a sua vida. E não ser uma pessoa ingrata com Aquele que tudo tem nos dado, principalmente a vida eterna.

Pense nisso!

quarta-feira, 5 de julho de 2017

CONVERSÃO NÃO É MORALIDADE, MUDE O DISCURSO DO SEU TESTEMUNHO


Por Fabio Campos

Texto base: “Mas o que para mim era lucro, passei a considerar perda.” – Filipenses 3.7

É raro encontrar alguém que defina biblicamente o que é conversão. Muitos confundem o seu resultado com o ato do que de fato ela representa.

É interessante ponderar sobre a conversão do apóstolo Paulo.

Ele não era um sujeito imoral (do ponto de vista social e religioso). Seu pecado não era a boêmia, a noitada, o mulherio. Seu mundanismo não era oriundo de uma vida pródiga, mas do orgulho de sua “pregressa piedade”. Paulo, do ponto de vista da lei era irrepreensível; também era um bom cidadão; além de ser exemplo para qualquer um de seus compatriotas.

O passado ímpio do apóstolo, todavia, é justamente o testemunho de muita gente dos nossos dias. Seus deveres religiosos eram devidamente cumpridos. Mas do que Paulo tinha que se arrepender?

Perceba o discurso da grande maioria; falam mais do que fizeram para Cristo do que aquilo que Cristo fez por eles.

Paulo mantinha sua segurança no realizar dos afazeres ministeriais e na virtude das boas obras. Era disto que ele se arrependeu. Muitos, porém, se gabam justamente do que Paulo considerou perda. Ou seja, apoiam-se em suas obras de justiça (Fp 3. 4-9).

Afinal, o que é conversão?

A primeira coisa que precisa ser definida é que conversão não é moral, mas ontológica. A moral (e não moralismo) é simplesmente o resultado da nova criatura que foi gerada em Cristo (2 Co 5.17). A primeira coisa que deveria ser dito num testemunho não é o que você é, ou faz hoje, mas como Deus te convenceu do quanto a sua justiça (aquilo que você confiava para salvação) se tratava de esterco (excremento humano, porção do alimento rejeitado pelo organismo como não nutritivo e que deve ser expelido). 

Por ignorância da sã doutrina, quando Cristo me converteu a Ele, logo de inicio fui radical com coisas que hoje tolero (usos, costumes e ingestão de alimentos em geral), e tolerava coisas que hoje sou radical (doutrinas espúrias). Pelo estudo das Escrituras fui convencido de que o Reino de Deus não consiste em “coisas”, mas pessoas que verdadeiramente tiveram um novo nascimento; nascidas não de descendia natural, nem pela vontade de algum homem, mas de Deus (Jo 1. 13).

Não se trata do que você come ou do que você bebe; mas de justiça, paz e alegria no Espírito Santo (Rm 14.17).

Muitos chamam de pecado o que Deus fez para ser desfrutado. A Bíblia chama esses “mestres” de hipócritas e mentirosos, que têm a consciência insensível (1 Tm 4.2). E é aqui que entra o ponto que ofusca o verdadeiro sentido ontológico do resultado da conversão. Baralhar santificação com rigor ascético, abstendo até de prazeres legítimos; proibir o que Deus criou para nosso deleite e para o louvor da sua glória (1 Tm 4.3; 1 Co 10.31). Muitos religiosos taxariam de mundano as festas realizadas sob orientação do próprio Deus no meio do seu povo (Dt 14.26).

Conversão passou a ser “não tocar” nisto; “não provar” aquilo; “não manusear” tal coisa. De fato, como diz a Escritura, isto até tem aparência de santidade; mas só aparência, pois não tem valor algum no combate contra os desejos que realmente são pecaminosos (Cl 2. 20-23).

Os legalistas, no entanto, dizem ser certo justamente o que Deus abomina (opressão em nome da lei). Seita procede exatamente deste modo. Rígidos para com o corpo e laicos na doutrina, que poderia libertar as pessoas do fardo pesado colocado sobre seus ombros.

O Senhor é traído não quando caímos pela fraqueza da carne. Deus é traído quando nos apartamos da simplicidade e pureza devidas a Cristo; quando abraçamos outro evangelho; quando prestamos culto a um "deus" estranho (tipo mamon, o “deus” da teologia da prosperidade). Isto é traição!

A conversão, portanto, está muito além da mera mudança de comportamento. A conversão bíblica consiste primeiramente em abandonar por completo sua própria justiça para lançar-se por completo, por meio da fé, na justiça de Cristo (Ef 2. 8-9). É descansar no sacrifício vicário de Jesus; se trata em renunciar nossa auto-suficiência e pretensioso orgulho de cumprir a lei (Fp 3.3).

O que importa não é isto ou aquilo; guardar o sábado; deixar de comer ou beber certos alimentos. Nada disto valerá se, contudo, você não for nova criatura. Estamos firmados e confirmados numa Pessoa. Não é a obediência de regras ou a observação de determinada tradição que nos fará aceitáveis diante de Deus. É Cristo Jesus, justiça nossa. É n’Ele e em nada mais. Ele é tudo para aquele que sabe que não possui nada.

Se você ainda se apóia no seu desempenho religioso; no fato de se abster, por exemplo, do álcool e de certos alimentos – você até pode ser um bom moço ou moça, mas você ainda não é um genuíno cristão. O Evangelho de Cristo incomoda os libertinos tanto quanto incomoda os legalistas. Os libertinos esquecem Deus; os legalistas tentam ser Deus.

Portanto, conversão é ter em Cristo toda a confiança, é ser achado n”ele, não tendo por justiça as nossas obras, mas sim a justiça que procede da fé no Salvador, a saber, a justiça que vem de Deus. O fim da lei é Cristo para a justificação do todo aquele crê.

Em Cristo Jesus, considere esta reflexão e arrazoe isto em seu coração.

Soli Deo Gloria!

Fonte: Fabio Campos

terça-feira, 4 de julho de 2017

Aos solteiros que procuram por um casamento incrível!


Por Josemar Bessa

Os solteiros que procuram se casar bem, podem aprender tanto com um homem que se casou há quatrocentos anos. Ele fez uma escolha supremamente sábia por todas as razões certas e se beneficiou imensamente por causa disso.

Richard Baxter (1615-1691) ( Um dos Grandes Puritanos) viveu a metade de sua vida como um homem solteiro porque acreditou, naquele momento, que um jovem zeloso pastor estava "casado com sua congregação" e não tinha tempo adequado para uma esposa como devia. Quando sua igreja o despediu e ele foi forçado a viver sua vida como um escritor (se transformou num dos escritores mais populares de seu tempo), pensou que ter uma esposa seria uma coisa muito boa, de fato, e ele logo entrou em um casamento muito feliz e gratificante com uma jovem chamada Margaret.

Eles tiveram um casamento incrível .

Ao fazer sua escolha, Richard já era um homem sábio que, como pastor, vira a loucura em que tantos outros haviam caído. Assim, ele estava determinado a "evitar a paixão tola que o mundo chama de amor".

Ele não evitou o amor, mas procurou um amor mais elevado : "Eu sei que você deve ter amor por aquele com quem você se casa", ele escreveu, mas insistia que fosse um amor "racional" - que discernisse "valor e aptidão" no amado, não "cego ... luxúria, desejo ou fantasia."

Richard tinha visto como "a luxúria cega e a fantasia" (apelo sexual e paixão romântica) podiam fazer pessoas aparentemente sábias curiosamente cegas para o pobre valor de uma pessoa e baixo caráter, então ele determinou cedo que não seria guiado por essas coisas.

Em vez disso, ele estava determinado a encontrar um cônjuge "digno" e um cônjuge "apto".

Se você se sentir louco de paixão e seu maior e desesperado desejo é ouvir que o outro sente a mesma coisa sobre você, force-se a fazer duas perguntas racionais:

É uma pessoa digna? “Ela ou ele são aptos para o casamento? "

Vamos olhar para cada um por sua vez.

Primeiro, eles são dignos de você ter tal interesse neles? Force-se a olhar para eles objetivamente. Se você não tivesse sentimentos tão fortes por eles, e os fosse avaliar assim, você ainda gostaria deles, os admiraria e os respeitaria?

Se você não pode responder "sim" a todas as três perguntas você está caindo presa de uma "fantasia cega".

Se você está muitas vezes desconfortável sobre eles, ou constantemente tendo que explicar e desculpar as falhas e falhas de caráter que todo mundo vê e aponta para você, você está no meio de uma "fantasia cega". Não é verdadeiramente digno de você para ser, aos olhos do mundo, o que a relação de Cristo é com a Igreja; Você não deve ter medo de que eles não sintam o mesmo sobre você; Você deve ter medo do por que você está se sentindo assim sobre eles.

Em seguida, pergunte a si mesmo: "Eles são aptos?" Ou seja, eles têm as habilidades relacionais, emocionais e espirituais necessárias para ser um cônjuge superlativo num relacionamento com Deus?
Eles podem lidar com conflitos?
Eles são humildes, gentis e pacientes?
Eles são um doador ou um tomador?
Deus é o centro de sua vida?
Eles oram e buscam crescer em justiça?
Seriam um bom pai (mãe) e um verdadeiro amigo?
Você pode confiar neles em todos os sentidos?

Se a resposta for não, eles não estão "aptos" para o casamento.

Os sentimentos são altos e fortes, e eles vêm e vão. Fazer perguntas sobre "dignidade" e "aptidão" irá ajudá-lo a ser objetivo e fazer uma escolha sábia.

Resumindo - o melhor do pensamento puritano em fazer uma escolha marital sábia, sublinha que os cristãos foram instados a não procurar alguém que ama romanticamente, mas sim para alguém que se pode amar "com firme afeição em uma base permanente".

Porque o casamento é tudo sobre o futuro e os sentimentos são apenas sobre o presente, faz mais sentido escolher alguém que você pode amar no futuro, porque eles são dignos de seu amor e aptos para o casamento. Essas coisas geralmente duram; Sentimentos nunca o fazem. Eles mudam.

Descubra primeiro se a pessoa que você está interessado é digna e apta. Então pergunte a si mesmo: "É alguém com quem eu gostaria de passar o tempo? É alguém que me atrai fisicamente o suficiente para que eu deseje estar com ele (ela) sexualmente? "

Desejo sexual e romance não são inimigos - eles podem ser deliciosas "especiarias" na vida. Mas se você fizer deles o curso principal, você terminará relacionalmente faminto, porque não podem satisfazer e se juntar aos desejos mais profundos da alma que só encontram satisfação em Deus.

Eu polvilho canela numa banana frita... mas eu não como várias colheres de canela como um substituto para o que vou comer naquele momento. Isso é o que você está tentando fazer quando você deixa "o desejo e as fantasia cegas" se tornarem os fatores principais em determinar quem escolher e, finalmente, com quem se casar. 

Digno e apto.

É isso que você deve procurar. Isso é o que você deve avaliar. Assim foi com Richard Baxter e Margaret.

Fonte: Josemar Bessa