segunda-feira, 12 de junho de 2017

URIAS, O JUSTO INJUSTIÇADO!


Por Fabio Campos

Texto base: “E mandou Davi indagar quem era aquela mulher; e disseram: Porventura não é esta Bate-Seba, filha de Eliã, mulher de Urias, o heteu? Então enviou Davi mensageiros, e mandou trazê-la; e ela veio, e ele se deitou com ela...”. – 2 Samuel 11: 3,4 (AFC)

Quando me perguntam qual o meu herói favorito no Antigo Testamento – para surpresa de muitos – digo que é Urias, o heteu. Urias foi mais um dos justos injustiçado neste mundo de cão. A tragédia se torna ainda mais dramática pelo fato da crueldade ter sido praticada não pelas mãos do ímpio, mas de um justo, o rei Davi.

Urias é meu referencial não por causa da habilidade com a espada, mas por seu caráter e por sua hombridade. Ele era viril segundo os padrões de Deus. O “mano” foi valoroso frente a “molecagem” de Davi.

Urias significa “minha luz é Yahweh”; o herói da nossa reflexão, com efeito, fez valer o significado.

Urias era estrangeiro, heteu, que pertencia ao seleto grupo dos heróis de Davi (2 Sm 23.39; 1 Cr 11.41); residia em Jerusalém, vizinho do palácio real (pois sua casa era possível de ser avistada do palácio [2 Sm 11.2]).

Tanto o seu nome como a sua conduta sugerem que ele havia abraçado a religião hebraica (2 Sm 11.11). O hitita lutava sob as ordens de Joabe, comandante das tropas de Davi. Certa vez, quando Urias estava na guerra, o rei encontrava no terraço do palácio e, ao olhar para baixo, viu Bate-Seba, esposa do soldado, banhando-se. Davi desejou-a ardentemente, mandou trazê-la e engravidou-a (1 Sm 11. 1-5). O rei ordenou que Urias retornasse a Jerusalém, na esperança de que dormisse com a esposa e lhe evitasse assim a situação embaraçosa.

Ao chegar da guerra a mando do rei, Urias recebe a ordem de Davi que fosse para casa descansar e dormir com sua esposa. Urias,sem falar nada, saiu da presença do rei e, o invés de ir para o conforto do seu lar e deliciar-se com os carinhos de sua esposa,preferiu dormir à porta do palácio real.

Urias recusou tal privilégio que seus companheiros de exército não teriam. Sua preocupação era com a Arca e com o povo de Israel. As investidas de Davi para fazer com que ele dormisse com Bate-Seba não deram certo. Mesmo embriagando-o, o valente Urias honrou sua convicção: novamente dormiu com os servos.

Exasperado, Davi o enviou de volta à frente da batalha, com uma recomendação ao comandante Joabe para colocar Urias na linha de frente no cerco à cidade de Rabá, o que acarretou na sua morte. O rei Davi, então, toma Bate-Seba para ser sua esposa. O que parecia ser louvável a todo Israel (ainda ninguém sabia o que de fato havia acontecido), cheirava mal perante o Senhor Deus (2 Sm 11.27).

Urias foi apagado pelo homem, mas elogiado por Deus.

Com efeito, a disciplina e fidelidade de Urias são dignas de ser imitadas por todo aquele que verdadeiramente leva Deus a sério. Quanta virtude há neste homem que morreu sem saber da trama que foi levantada contra ele.

Sem promover a fidelidade aos seus camaradas de guerra, Urias não esperou “sentir de Deus” para entender que naquela ocasião, ainda que fosse lícito, não convinha dormir com sua esposa. A fé de Urias não era pautada em emoções ou em expectativas de triunfos, mas em princípios: “Pela tua vida, e pela vida da tua alma, não farei tal coisa” (2 Sm 11:11).

A voz da consciência de Urias falou mais alto que a ordem do rei:“Porém Urias se deitou à porta da casa real” (2 Sm 11.9a). Ele se abdicou do prestígio daquele privilégio e preferiu dormir com os servos de Davi: [pernoitou] “com todos os servos do seu senhor; e não desceu à sua casa” (2 Sm 11.9).

Urias, como um bom soldado, era disciplinado e rigoroso consigo mesmo. Ele sabia que o seu chamado era o de proteger Israel. Diferente de Davi, Urias sabia que sua espada seria enfraquecida caso cedesse aos desejos do seu coração: “... mais vale controlar o seu espírito do que conquistar uma cidade” (Pv 16.32).

O heteu era obediente (v.12); porém fazia apenas aquilo que era correto. Mesmo sob influência do vinho, Urias foi mais disciplinado e leal do que Davi, que estava sóbrio (v. 13).

O hitita é o tipo de gente que podemos confiar o tempo todo. Você poderia deixar, por exemplo, sua esposa a sós com ele sem nenhuma preocupação de haver dele algum galanteio. Não havia suspeita na vida deste guerreiro. Era o tipo de servo que não vasculhava a gaveta do seu patrão. Sem abrir o envelope entregue por Davi direcionado a Joabe, Urias levou sua própria sentença de morte (14-15).

Urias não tinha medo de nada exceto de Deus. Sem retrucar ou pedir explicações, sabendo do perigo de morte por ser o “linha de frente” na batalha, obedeceu ao seu comandando; porém, desobedeceu ao rei quando ordenou que dormisse com sua esposa.

Quanta virtude! Cadê os homens deste quilate?

Joabe não viu com bons olhos a orientação de Davi mas obedeceu ao rei (v.25). Colocou Urias na linha de frente e, no calor da batalha, conforme planejado, Urias foi morto.

Aparentemente o plano de Davi foi bem sucedido. Com indiferença, recebeu a notícia da morte do heteu: “Não fique preocupado com isso, pois a espada não escolhe a quem devorar” (2 Sm 11.25). Bate-Seba, porém, chorou a morte de seu marido.

O desejo descontrolado de Davi e sua pervertida atitude destruiu a família de Urias. Com isto, o rei trouxe desgraça sobre Israel e sobre sua família. Quanta desgraça por causa de um simples olhar onde por tudo começou.

Quando tudo estava sob o controle do rei, após alguns meses, Deus resolve tratar com Davi e honrar a memória de Urias. O profeta Natã é enviado ao rei para repreendê-lo. Com uma história contada na pessoa de um terceiro, o rei sem saber que este homem mal se tratava dele mesmo, cravou sua própria sentença:

“Então, Davi encheu-se de ira contra o homem e disse a Natã: "Juro pelo nome do Senhor que o homem que fez isso merece a morte! Deverá pagar quatro vezes o preço da cordeira, porquanto agiu sem misericórdia. “Então Natã disse a Davi: "Você é esse homem!” – 2 Samuel 12:5-7

Davi sofreu graves conseqüências por causa do seu pecado.

Desde então a família do rei viveu em guerra; seus filhos se deitaram com as concubinas do próprio Davi; houve muita contenda entre seus filhos, e um estupro por meio do incesto entre os irmãos Amnon e Tamar, filhos do rei. Deus, porém, perdoou Davi por haver ele confessado o seu pecado publicamente (ver salmo 51).

Infelizmente o mundo é atraído pelo carisma, e não pelo caráter. Urias não foi uma personagem de destaque nas Escrituras, mas não tenho dúvida que Deus o considera um herói.

A maior tentação dos cristãos não é o desânimo dos fracassos, mas o anseio pelo sucesso. É aqui que todos aqueles que se deixam levar comem nas mãos do diabo (Mt 4.8). O sucesso pode nos dar privilégios – como tinha o rei Davi – porém facilita a possibilidade de adquirir também aquilo que não nos pertence. Como disse Charles Haddon Spurgeon, considerado o príncipe dos pregadores:“Com muito mais frequência o cristão envergonha sua fé na prosperidade do que na adversidade."

Que Deus nos guie e nos livre não somente do mau, mas de não sermos o agente do mal na vida de alguém.

Em Cristo Jesus, considere este artigo e arrazoe isto em seu coração.

Soli Deo Gloria!

Fonte: Fabio Campos

sábado, 3 de junho de 2017

COMO VENCER A ANSIEDADE


Por Pr. Silas Figueira

Texto Base: Mateus 6.24-34

INTRODUÇÃO

Uma grande crise se instalou em nosso país, e porque não dizer no mundo. Vivemos dias em que cada vez mais ouvimos falar em corrupção, perda de emprego, roubalheira das mais diversas em todas as instâncias do governo, a justiça que não prevalece... Olhamos ao redor e diante de tanta crise, se não tivermos cuidado, seremos engolidos por uma total desesperança.

No entanto, o texto de Mateus 6.24-34 nos renova a fé. Nos trás esperança e renova a nossa confiança no Senhor que nos guarda. Mas para isso devemos vigiar, pois a tentação é muito grande. E essa tentação é a de servir a dois senhores. A tentação de abrir mão do cuidado de Deus por nós e nos embrenharmos por um caminho extremamente perigoso. O caminho que nos leva a perder a fé no Senhor e em seu cuidado e partirmos a buscar outro senhor para cuidar de nós, dos nossos interesses e dos nossos entes queridos.

Quando perdemos a fé que o Senhor tem poder para cuidar de nós, automaticamente, nos vemos tomados por uma extrema preocupação. É aquilo que o Senhor chama de ansiedade.

PARA VENCERMOS A ANSIEDADE NÓS DEVEMOS EM PRIMEIRO LUGAR DEFINIR A QUEM IREMOS SERVIR (Mt 6.24)

Jesus aqui é enfático ao dizer que nós não podemos servir a dois senhores. Isso é impossível. Isso é algo que para o Senhor é inviável. E Ele nos dá duas razões básicas:

1º - Porque o amor não pode ser divido (Mt 6.24a). Se você ama um não pode amar ao outro, pelo contrário, irá aborrecer o outro. Pode-se trabalhar para dois empregadores, mas nenhum escravo pode ser propriedade de dois senhores, pois ter um só dono e prestar serviço de tempo integral são da essência da escravidão [1].

Por que falamos isso? Porque vezes seguidas, nas páginas das Escrituras, os crentes são referidos como escravos de Deus e escravos de Cristo. De fato, enquanto o mundo exterior os chama de “Cristãos”, os crentes primitivos repetidamente referiam a si mesmos, no Novo Testamento, como escravos do Senhor (Rm 1.1; 1Co 7.22; Gl 1.10; Ef 6.6; Fl 1.1; Cl 4.12; Tt 1.1; Tg 1.1; 1Pe 2.16; 2Pe 1.1; Jd 1; Ap 1.1) [2].

E a expressão servir no grego é doulenein, que é servir como escravo. Então na condição de escravo eu devo ter um só senhor e amá-lo incondicionalmente. Por isso que amar ao Senhor e as riquezas é impossível. Como disse o apóstolo Paulo em 1 Timóteo 6.10:

“Porque o amor ao dinheiro é raiz de todos os males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores”.

Na condição de escravo, tem que haver total fidelidade sem reservas, porquanto o escravo não tinha vida própria, mas tudo fazia segundo a vontade do seu “senhor”. É claro, portanto, que tal serviço não pode ser prestado a dois senhores [3].

2º - Porque a adoração não pode ser dividida (Mt 6.24b). O homem que cuida das coisas espirituais procura apenas um tesouro, isto é, o tesouro dos céus (Mt 6.19-21).

Não podemos servir a Deus e as riquezas, ou seja, não podemos servir ao Criador dos céus e da terra, ao Deus Vivo e qualquer objeto de nossa própria criação que chamamos de “dinheiro” (Mamon é uma transliteração da palavra aramaica para riqueza) e, nesse contexto, representa também os interesses mundanos. Não podemos servir aos dois [4].

A riqueza é uma grande tentação. Não que seja pecado ser rico, o pecado está em confiar nela como se ela fosse um deus; e na verdade, para muitos, ela é um deus. Por isso o apóstolo Paulo escrevendo a Timóteo nos alerta a respeito disso:

“Os que querem ficar ricos caem em tentação, em armadilhas e em muitos desejos descontrolados e nocivos, que levam os homens a mergulharem na ruína e na destruição, pois o amor ao dinheiro é raiz de todos os males. Algumas pessoas, por cobiçarem o dinheiro, desviaram-se da fé e se atormentaram a si mesmas com muitos sofrimentos. Você, porém, homem de Deus, fuja de tudo isso e busque a justiça, a piedade, a fé, o amor, a perseverança e a mansidão” (1 Timóteo 6.9-11 – NVI).
E em Eclesiastes 5.10 nos diz:

“Quem ama o dinheiro jamais dele se farta; e quem ama a abundância nunca se farta da renda; também isto é vaidade”.

E o próprio Jesus alertou os seus discípulos sobre esse perigo:

“Então, Jesus, olhando ao redor, disse aos seus discípulos: Quão dificilmente entrarão no reino de Deus os que têm riquezas! Os discípulos estranharam estas palavras; mas Jesus insistiu em dizer-lhes: Filhos, quão difícil é [para os que confiam nas riquezas] entrar no reino de Deus! É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus” (Marcos 10.23-25).

A tentação é grande, mas uma vez eu repito. Não pense que nós não seremos tentados. Não pense que estamos isentos de passarmos por isso. Nós não somos intocáveis. Por isso que o apóstolo Paulo escrevendo aos Coríntios disse:
“Aquele, pois, que cuida estar em pé, olhe não caia” (1 Coríntios 10.12).

EM SEGUNDO LUGAR, PARA VENCERMOS A ANSIEDADE DEVEMOS TER UMA FÉ RACIONAL (Mt 6.25,31).

Jesus começa esse versículo dizendo: “Por isso vos digo”. Isso quer dizer que aquilo que Senhor Jesus está para falar é uma conclusão do que Ele havia falado anteriormente, ou seja, antes de nos convidar a agir, ele nos convoca a pensar. Convida-nos a examinar clara e friamente as alternativas que foram expostas, pensado-as cuidadosamente [5].

O Evangelho e a sua mensagem devem ser analisadas. Não é pecado pensar. Aliás, o Senhor nos convida a servi-lo calculando o valor do discipulado (Lc 9.57-62). O apóstolo Paulo nos diz que o nosso culto deve ser um culto racional (Rm 12.1). David Martyn Lloyd-Jones diz que Cristo não se contentou meramente em estabelecer princípios, dar-nos uma ordem ou mandamentos. Antes, nos dá argumentos e oferece-nos razões. Ele apresenta estas coisas para serem apreciadas pelo nosso bom senso. Uma vez mais somos lembrados que Ele está apresentando a verdade diante do nosso intelecto. Jesus não se preocupou somente em produzir uma determinada atmosfera emocional, mas também raciocina junto conosco. Essa é a grande questão que precisamos aprender. É por esse motivo que Ele começa, novamente, com as palavras “por isso” [6].

Por isso...

1º - Devemos ver a vida com os olhos do Senhor. Isso implica em andar pela fé e não por vista. Assim como os espias que voltaram de espiar a terra de Canaã, devemos ver o melhor que o Senhor tem para nós. No entanto, devemos tomar cuidado para não fixarmos os olhos nas dificuldades, mas na possibilidade da vitória. Para que possamos ver o que o Senhor tem para nós, devemos em primeiro lugar ter a visão dEle e, em seguida, abrir mão da nossa visão. O que os nossos olhos veem podem nos levar ao total engano.

Não sei se você sabe, mas a águia possui oito vezes mais células visuais por centímetro cúbico do que o ser humano. Tal fato se traduz por habilidades espantosas. Por exemplo, voando à altura de 200 metros a águia consegue detectar um objeto do tamanho de uma moedinha, movendo-se na grama de 15 centímetros de altura. A águia pode enxergar um peixe de oito centímetros saltando num lago a oitenta quilômetros de distância. A visão espiritual nos leva a ver o que os olhos naturais não veem (1Co 2.14-16).

Por isso...

2º - O Senhor nos proíbe de vivermos ansiosos (Mt 6.25, 31, 34). Ao lermos esse texto, a ideia que muitos têm é que não temos que nos preocupar com nada. Não é isso que o texto nos diz. Jesus em momento algum disse que devemos desprezar as necessidades do nosso corpo. Que não precisamos cuidar dele. Afinal nós somos o templo do Espírito Santo (1Co 6.19) e precisamos cuidar dele (Ef 5.29). Nem tampouco proíbe a previdência quanto ao futuro. Devemos pensar no amanhã, pois afinal de contas devemos nos prevenir quanto às adversidades que a vida pode apresentar.

O Senhor também não nos isenta de ganharmos a própria vida, de trabalharmos para termos o nosso pão de cada dia. Embora nunca nos esquecendo de que este pão procede do Senhor que o coloca em nossa mesa. Outro detalhe importante, a falta de ansiedade não nos isenta das dificuldades que a vida oferece. O Senhor nos deixou um aviso importante em João 14.1: “Não se turbe o vosso coração”. E em João 16.33 Ele nos diz: “Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo”.

A ansiedade que o Senhor proíbe é a ansiedade que nos leva a desacreditar no Seu cuidado. É a preocupação excessiva com o dia de amanhã. O psicólogo Rollo May chama esse tipo de ansiedade de “Ansiedade Neurótica”. A maioria das ansiedades neuróticas provém de conflitos psicológicos subconscientes. A pessoa se sente ameaçada como por um fantasma; não sabe onde se encontra o perigo, como combatê-lo e dele fugir. E ele diz que quando um indivíduo sofre de ansiedade durante um prolongado período de tempo fica com o corpo vulnerável a doenças psicossomáticas. Esta é o denominador comum psicológico das perturbações psicossomáticas, tais como úlceras, várias formas de afecções cardíacas, etc. A ansiedade é, em suma, a forma contemporânea da peste branca (tuberculose) – a maior destruidora da saúde e do bem-estar humanos [7]. Essa é a ansiedade que o Senhor nos proíbe de termos, pois tal ansiedade na verdade é falta de fé. É uma total falta de confiança do cuidado do Senhor por cada um de seus filhos amados. Veja o que o autor de Hebreus nos fala:

“De fato, sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que se torna galardoador dos que o buscam” (Hb 11.6).

Veja o que Paulo nos fala em Filipenses 4.6:

“Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças”.

E o que apóstolo Pedro em sua primeira carta nos fala assim também:

“Humilhai-vos, portanto, sob a poderosa mão de Deus, para que ele, em tempo oportuno, vos exalte, lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós” (1Pe 5.6,7).

Quem busca riquezas pensa que o dinheiro resolverá todos os problemas, quando, na verdade, trará ainda mais problemas! As riquezas materiais criam uma sensação falsa e perigosa de segurança, a qual termina em tragédia [8]. E isso gera ainda mais ansiedade.  

EM TERCEIRO LUGAR, PARA VENCERMOS A ANSIEDADE DEVEMOS ENTENDER QUAIS SÃO OS VERDADEIROS VALORES DA VIDA (Mt 6.26-31).

É assustador observar quantas pessoas parecem viver inteiramente dentro desses estreitos limites: alimento, bebida e comida. Como dizia a Dona Bela da Escolinha do Professor Raimundo: “Só pensa naquilo”. Tem gente assim. Só focam nas coisas desta terra e se esquece por completo das coisas celestiais. Pessoas assim adoram a mamom e não a Deus. Confiam no cuidado de mamom e desacreditam do cuidado do Senhor. 

Por isso que a partir daqui o Senhor começa a fazer um paralelo mostrando o que na verdade tem valor e de quanto o nosso Deus tem cuidado dos seus. E Ele nos mostra isso através da observância. Do aprendizado. Do ver o cuidado de Deus pelas coisas mais simples que existem: as aves que Ele alimenta, as flores que Ele veste de beleza e da vida que Ele dá.

1º - O Senhor mostra o quanto o Pai cuida das aves (Mt 6.26). Deus é o nosso Pai, e se o nosso Pai cuida tanto das aves do céu, com as quais está relacionado somente através da Sua providência geral, quão maior, necessariamente, deve ser o Seu cuidado por nós. Um pai terreno pode mostrar-se bondoso, por exemplo, para com os pássaros e os animais; mas seria inconcebível um homem prover sustento para meras criaturas e, ao mesmo tempo, negligenciar seus próprios filhos [9]. Veja o próprio exemplo que o Senhor nos da em Mateus 7.7-11:

“Pedi, e dar-se-vos-á; buscai e achareis; batei, e abrir-se-vos-á. Pois todo o que pede recebe; o que busca encontra; e, a quem bate, abrir-se-lhe-á. Ou qual dentre vós é o homem que, se porventura o filho lhe pedir pão, lhe dará pedra? Ou, se lhe pedir um peixe, lhe dará uma cobra? Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará boas coisas aos que lhe pedirem?”

Lucas 11.11-13 nos diz:

“Qual dentre vós é o pai que, se o filho lhe pedir [pão, lhe dará uma pedra? Ou se pedir] um peixe, lhe dará em lugar de peixe uma cobra? Ou, se lhe pedir um ovo lhe dará um escorpião? Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais o Pai celestial dará o Espírito Santo àqueles que lho pedirem?”

O Senhor deixa claro que nós valemos mais do que as aves, embora Ele não deixe que nenhuma delas morra sem o Seu consentimento: “Não se vendem dois pardais por um asse? E nenhum deles cairá em terra sem o consentimento de vosso Pai” (Mt 10.29);  e por isso o Pai irá cuidar de cada um de nós muito mais. Só que há um pequeno detalhe aqui, as aves saem pela manhã para procurar o seu alimento e cabe a cada um de nós buscarmos recursos para pôr o alimento em nossa mesa.

2º - O Senhor mostra o quanto o Pai cuida das flores (Mt 6.28,29). Jesus nos manda observar o cuidado que o Pai tem para com flores e o quanto as “vestem” de pura beleza. O Senhor nos manda “considerar” (observar bem) o Seu cuidado.

As flores que cresciam no campo não eram cuidadas pelos homens e eram consideradas de pouco valor. Se o campo fosse ser preparado para ser plantado, a hera era cordata ou queimada, e todas as flores também teriam o mesmo destino. A despeito do reduzido valor das flores, Deus cuida delas, providenciando-lhes belíssimas vestes. Ora, se Deus assim age no tocante à criação física, por acaso não cuidará, nesse particular, de seus próprios filhos? [10].

Há em muitas pessoas uma preocupação exacerbada com coisas que não deveriam tomar a nossa mente. E uma dessas preocupações é com as vestes. Há pessoas que já não tem onde por as roupas que tem e toda vez que vai sair diz que não tem roupa. Isso parece até brincadeira!

Muitas pessoas não vestem roupas, vestem uma grife. Observe a moda, por exemplo. Todos se vestem iguais. E a cada ano tem uma moda diferente, e toda vez que ela muda tem que se mudar o “guarda roupa”, afinal temos que andar na moda.

Interessante é que o tempo passou, mas o ser humano continua o mesmo. Nos tempos antigos, as pessoas eram avaliadas pelas roupas que usavam e possuíam. Tanto que nos tesouros orientais incluíam-se vestes de alto preço.

No entanto, o Senhor nos diz que nem Salomão com toda a sua glória se vestiu como qualquer deles. As vestes manufaturadas de Salomão não se comparam as vestes que o Senhor dá as flores mais simples.

Por esse motivo o Senhor nos diz que não devemos viver preocupados com esse tipo de coisa. É inútil. É desperdício de tempo. É desacreditar do cuidado de Deus (Gn 3.21).

Por isso que o Senhor falou a respeito de “homens de pequena fé”. Essa pequena fé se limita a salvação e não inclui a vida inteira do crente, e tudo que está envolvido nessa vida. Há pessoas que creem que irão para o céu, e estão certos em crer assim, mas desacreditam de todas as promessas de Deus para nós.

3º - O Senhor mostra que o dom da vida pertence ao Pai (Mt 6.27). Jesus deixa claro aqui que a ansiedade pode antecipar a morte e não prolongar a vida; e que a preocupação com ela não irá fazer com a morte não nos alcance quando chegar a nossa hora.

A palavra côvado era uma medida de comprimento de 45 centímetros. No entanto, a ideia que se tem aqui não é de estatura, mas de duração da vida. Em outras palavras, o Senhor está nos dizendo que nenhuma preocupação irá fazer com que a nossa vida seja mais longa. A vida é dom de Deus. A vida e a morte estão em Suas mãos. Não temos que viver preocupados como e quando iremos morrer, mas devemos estar preocupados como temos vivido.

EM QUARTO LUGAR, PARA VENCERMOS A ANSIEDADE DEVEMOS DESCANSAR NOS CUIDADOS DO SENHOR (Mt 6.31-34).

Se há algo que uma pessoa ansiosa não faz nunca é descansar. Não há paz em sua vida. Não há tranquilidade no seu viver. A preocupação com as coisas materiais nos faz viver como pagãos. Por isso, tome cuidado. Não quero dizer com isso que não podemos nos preocupar, o que eu quero dizer é que devemos confiar no Senhor e crer que Ele continua e continuará no controle de tudo.

Por que podemos descansar nos cuidados do Senhor? Nesses últimos versos o Senhor Jesus nos dá três razões básicas e porque não dizer lógicas.

1º - Porque o Pai conhece todas as nossas necessidades (Mt 6.31,32). Vencemos a ansiedade quando confiamos em Deus. A fé é o antídoto para a ansiedade. Deus nos conhece. Ele nos ama. Ele é o nosso Pai. Ele sabe do que temos necessidade. Se pedirmos um pão, ele não nos dará uma pedra; se pedirmos um peixe, ele não nos dará uma cobra. Nele vivemos e nele existimos. Ele é o Deus que nos criou. Ele é o Deus que nos mantém a vida. Ele nos protege, nos livra, nos guarda, nos sustenta.

Em suma, tudo o que você necessita não irá te faltar. Pode ser que o que você necessita não seja o que você deseja, aí é outra coisa. Como diz uma das frases da música “Trem Bala: “Não é sobre chegar no topo do mundo e saber que venceu. É sobre escalar e sentir que o caminho te fortaleceu”.

2º - A nossa única prioridade é buscar o Seu Reino e a Sua justiça (Mt 6.33). Nada menos do que Deus e seu Reino devem ocupar a nossa mente e o nosso coração. O nosso problema não é fazer investimentos, mas fazer investimentos errados. Somos desafiados a buscar uma riqueza que não perece. A ajuntar tesouros não na terra. A colocarmos nosso dinheiro, nossos bens, nossa vida a serviço de Deus e do seu Reino, em vez de vivermos ansiosos ajuntando tesouros para nós mesmos.

O maior investimento que podemos fazer não é nas coisas aqui de baixo, da terra, mas nas coisas lá do alto onde Cristo está assentado.

3º - Porque assim como o Pai cuida de nós hoje Ele irá cuidar amanhã (Mt 6.34). A preocupação com o amanhã não ajuda nem o dia de hoje nem o de amanhã. Antes nos priva de nosso vigor no dia de hoje – o que significa que teremos ainda menos energia no dia de amanhã. Alguém disse que a maior parte das pessoas crucifica-se entre dois ladrões: os remorsos de ontem e as preocupações de amanhã. É correto planejar e até mesmo economizar para o futuro (2Co 12.14; 1Tm 5.8), mas é pecado preocupar-se com o futuro e permitir que o amanhã nos prive das bênçãos de hoje [11].

CONCLUSÃO

O Senhor nos diz que quem vive com tal ansiedade é gentio, ou seja, é o ímpio que não conhece ao Senhor. É aquela pessoa que vive olhando para as coisas dessa terra e não sabe que existe um Deus que tudo faz por aqueles que o servem. Como nos fala Isaías 64.4: “Desde os tempos antigos ninguém ouviu, nenhum ouvido percebeu, e olho nenhum viu outro Deus, além de ti, que trabalha para aqueles que nele esperam” (NVI).

Mas nós não somos gentios. Por isso buscamos o Seu Reino e a Sua justiça e cremos que aquilo que os gentios chamam de bênção nós iremos chamar de acréscimo. Pois é exatamente o que essas coisas são. Por isso que devemos buscar primeiro o Reino e a Sua justiça, essa é a prioridade de todo crente, o resto é o resto.

Pense nisso!

Fonte:

1 – Stott, John R. W. A Mensagem do Sermão do Monte. ABU Editora, São Paulo, SP, 1986: p. 164.
2 – MacArthur, John. Escravo, A Verdade Escondida sobre nossa Identidade em Cristo. Editora Fiel, São José dos Campos, SP, 1ª Reimpressão 2014: p. 20.
3 – Champlin, R. N. O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo, vol. 1, Editora Candeia, Cidade Dutra, Interlagos, SP, 10ª Reimpressão, 1998: p. 326.
4 – Stott, John R. W. A Mensagem do Sermão do Monte. ABU Editora, São Paulo, SP, 1986: p. 164.
5 – Ibid, p. 166.
6 – Lloyd-Jones, D. Martyn. Estudos no Sermão do Monte. Editora Fiel, São Paulo, SP, 1984: p. 392.
7 – May, Rollo. O Homem à Procura de si Mesmo. Editora Vozes, Petrópolis, RJ, 15ª Edição, 1989: p. 31, 36.
8 – Wiersbe, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo, Novo Testamento 1, Editora Geográfica, Santo André, SP: p.33.
9 – Lloyd-Jones, D. Martyn. Estudos no Sermão do Monte. Editora Fiel, São Paulo, SP, 1984: p. 401.
10 – Champlin, R. N. O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo, vol. 1, Editora Candeia, Cidade Dutra, Interlagos, SP, 10ª Reimpressão, 1998: p. 328.
11 – Wiersbe, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo, Novo Testamento 1, Editora Geográfica, Santo André, SP: p.33.

quinta-feira, 25 de maio de 2017

A CRISE É O PRELÚDIO DO AVIVAMENTO


Por Rev. Hernandes Dias Lopes

Os grandes avivamentos da história aconteceram em tempos de crise. Não nasceram do útero da bonança, mas foram gestados com dores e lágrimas em tempos de sequidão. A crise nunca foi impedimento para a ação soberana de Deus. É quando os recursos dos homens se esgotam que Deus mais visivelmente manifesta o seu poder. É quando todas as portas da terra se fecham é que Deus abre as janelas do céu. É quando o homem decreta sua falência, que o braço do onipotente mais se manifesta.

​O Brasil está vivendo, possivelmente, a sua mais aguda e agônica crise desde o seu descobrimento. A nação está rubra de vergonha, diante da desfaçatez de políticos e empresários que domesticaram os poderes constituídos, para assaltarem a nação e sonegarem ao povo o direito de viver dignamente. O profeta Miquéias, já no seu tempo, identificou esse conluio do crime, quando escreveu: “As suas mãos estão sobre o mal e o fazem diligentemente; o príncipe exige condenação, o juiz aceita suborno, o grande fala dos maus desejos de sua alma, e, assim, todos eles juntamente urdem a trama” (Mq 7.3). A corrupção chegou ao palácio, ao parlamento, às cortes e em setores importantes do empresariado. Um terremoto devastador atingiu as instituições, abalou a economia e enfraqueceu a indústria e o comércio. A carranca da crise é vista na desesperança dos mais de quatorze milhões de desempregados em nosso país. A morte se apressa para aqueles que não têm direito a uma assistência digna nos hospitais, sempre lotados e desprovidos de recursos. Os acidentes trágicos se multiplicam porque nossas estradas estão sucateadas. A educação se enfraquece porque as escolas públicas, em muitos lugares, estão entregues ao descaso. Líderes com muito poder e apequenado caráter, favorecem os poderosos e tiram o pão da boca dos famintos, fazendo amargar a vida de um povo já combalido pela pobreza e desesperança.

​Nesse cenário cinzento, muitas igrejas, por terem se afastado da sã doutrina e por terem tergiversado com a ética, perderam a capacidade de exercer voz profética. Não confrontam os pecados da nação, como consciência do Estado, porque primeiro precisam embocar a trombeta para dentro de seus próprios muros. Há um silêncio gelado, um conformismo covarde, um torpor anestésico. Há igrejas cheias de pessoas vazias de Deus. Há igrejas onde os púlpitos já baniram a pregação fiel da palavra de Deus. Há igrejas onde o antropocentrismo idolátrico substituiu a centralidade de Cristo. Há igrejas mornas, apáticas, amando o mundo, sendo amigas do mundo e conformando-se com o mundo. Há igrejas que parecem um vale de ossos secos. Perdeu-se a vitalidade. Perdeu-se o vigor. Falta um sopro de vida!

​É nesse momento de prognósticos sombrios, que devemos nos humilhar sob a poderosa mão de Deus. É imperativo converter-nos dos nossos maus caminhos e orarmos, buscando a face do Senhor, a fim de que ele perdoe nossos pecados, restaure a nossa sorte e sare a nossa terra. O avivamento começa com a igreja e partir dela reverbera para o mundo. O avivamento é uma obra soberana do Espírito Santo que vem, como torrentes do céu, sobre a terra seca. A água é derramada sobre o sedento e as torrentes sobre a terra seca. O Espírito Santo é derramado sobre um povo que anseia por Deus mais do que pelas bênçãos de Deus. É quando decretamos nossa falência, nos convertemos dos nossos maus caminhos e nos prostramos diante de Deus, para desejarmos ardentemente sua presença manifesta, é que ele traz sobre nós o seu renovo. Então, a igreja florescerá como salgueiros junto às correntes das águas. Então, os crentes se levantarão para dizer: “Eu sou do Senhor”. Então, não haverá mais abismo entre o que se prega e o que se vive, porque os crentes escreverão na própria mão: “Eu sou do Senhor”. Oh, que Deus levante sua igreja e restaure a nossa nação! Oh, que nesse tempo de crise e sequidão caia sobre nós as torrentes abundantes do Espírito Santo!

Fonte: Palavra da Verdade

sábado, 20 de maio de 2017

JEROBOÃO E O ALTAR DA IDOLATRIA


Por Pr. Silas Figueira

Texto Base: 1 Reis 13.1-10

INTRODUÇÃO

A história de Jeroboão é um exemplo de como uma pessoa que tem as promessas de Deus para sua vida, mas devido à falta de fé e por medo, entra por caminhos errados e se afasta completamente de Deus. É a história de um homem que tinha tudo para dar certo, mas fracassou em todas as áreas de sua vida. Assim como Davi entrou para a história como um modelo de integridade para com Deus, Jeroboão era o modelo do monarca ímpio. Essa lembrança constante de seu pecado indica a maneira como o Senhor tratou a idolatria durante a história de Israel (1Rs 16.26; 2Rs 14.24).

Este homem era servo de Salomão. Era um homem que exercia entre o povo uma grande liderança. Ele era da tribo de Efraim. Salomão o colocou como supervisor de todo o trabalho forçado.

Salomão, o terceiro rei de Judá, pecou tanto contra Deus que o Senhor decidiu tirar a maior parte do reino das mãos dos descendentes dele. Após a morte deste filho de Davi, o reino se dividiu em duas partes. A parte do sul, conhecida como Judá, ficou sob o domínio dos descendentes de Davi. A maior parte, composta das dez tribos do norte, foi dada por Deus a Jeroboão, filho de Nebate, um efraimita já provado como administrador hábil. Por ser um excelente líder e por estar o reino de Salomão em declínio por causa da sua idolatria (1Rs 11.9-13); o Senhor levantou contra Salomão vários inimigos, dentre eles o próprio Jeroboão (1Rs 11.26).

O profeta Aías procurou Jeroboão com um recado do Senhor lhe dizendo que o reino de Israel seria divido após a morte de Salomão e que ele seria rei de dez tribos e que ele seria bem sucedido, mas para isso teria que seguir ao Senhor (1Rs 11.29-40).

Quando Salomão morre e seu filho Roboão passa a reinar, Jeroboão retorna do Egito e vê se cumprir a profecia que o Senhor lhe havia falado (1Rs 12.16-20), pois Roboão, em sua arrogância, não deu ouvidos ao conselho dos mais velhos, mas seguiu o conselho dos jovens. E o conselho deles era para que se tornasse pior que seu pai.

Quando o profeta Aías transmitiu a Jeroboão a mensagem de Deus garantindo-lhe o reino de Israel (1Rs 11.28-39), o profeta deixou claro que a divisão política não dava espaço a um afastamento religioso. O lugar de culto a Deus continuaria sendo em Jerusalém. No entanto, por não confiar nas promessas de Deus, ele estabeleceu o seu próprio culto e sacerdotes para evitar que o povo que estava sob sua liderança fosse adorar em Jerusalém (1Rs 12.25-33).

Jeroboão conduziu o povo a uma falsa religião. Essa religião que inventou era confortável, conveniente e barata, mas não era autorizada pelo Senhor. Ia contra a vontade de Deus revelada nas Escrituras e tinha como propósito a unificação do reino de Jeroboão e não a salvação do povo e a glória de Deus. Era uma religião feita por mãos humanas, e Deus a rejeitou inteiramente.

Devido a isso, o Senhor envia a Betel um profeta para profetizar contra Jeroboão e seu altar idólatra. Por isso, eu quero pensar com você sobre a vida de Jeroboão e o seu altar e quais as lições que podemos aprender com isto.

Em primeiro lugar, quando levantamos nossos próprios altares deixamos Deus de lado e criamos os nossos próprios deuses para adorar (1Rs 12.28-30).

Em Êxodo 1-6 nos diz:

“Então, falou Deus todas estas palavras: Eu sou o SENHOR, teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão. Não terás outros deuses diante de mim. Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma do que há em cima nos céus, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não as adorarás, nem lhes darás culto; porque eu sou o SENHOR, teu Deus, Deus zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem e faço misericórdia até mil gerações daqueles que me amam e guardam os meus mandamentos”.

A adoração verdadeira envolvia a arca da aliança, o altar dos holocaustos, o templo em Jerusalém, mas não havia imagem de Deus, pois como disse o Senhor Jesus a mulher samaritana em João 4.24: “Deus é espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade”. A religião inovadora de Jeroboão tinha outros deuses – bezerros de ouro e altares em Dã e Betel. Ele tinha um certo apoio histórico, pois o primeiro sumo sacerdote de Israel (Arão) havia feito um bezerro de ouro (Êxodo 32.1-29). Precedente histórico, sem a aprovação divina, não serve para guiar o nosso caminho.

a) Vivemos hoje numa era em que a “religião inventada” é popular, aprovada e aceita.

b) Os líderes cegos que conduzem outros cegos asseveram que vivemos em uma “sociedade pluralista” e que ninguém tem o direito de afirmar que apenas uma revelação é verdadeira e que apenas um caminho para salvação é correto.

Esse tipo de mensagem agrada ao ouvido de muitos, mas não é a verdadeira mensagem. A Verdade é imutável. A Bíblia é a nossa regra de fé e prática, por isso não podemos relativá-la como muitos tem feito. Se negligenciarmos o que a Palavra de Deus nos fala, então não precisamos dela. 

A sociedade pode ser pluralista, mas a Palavra de Deus não. A sociedade pode pensar o que quiser, mas nós somos guiados pela Bíblia e nela que encontramos a orientação de como deve ser a nossa adoração. Se a negligenciarmos deixaremos o caminho trassado pelo Senhor e passamos a andar por atalhos que nos afastarão cada vez mais da sua presença. Como nos fala o autor de Hebreus:

"Portanto, convém-nos atentar com mais diligência para as coisas que já temos ouvido, para que em tempo algum nos desviemos delas. Porque, se a palavra falada pelos anjos permaneceu firme, e toda a transgressão e desobediência recebeu a justa retribuição, como escaparemos nós, se não atentarmos para uma tão grande salvação, a qual, começando a ser anunciada pelo Senhor, foi-nos depois confirmada pelos que a ouviram" (Hb 2.1-3).

Em segundo lugar, quando levantamos os nossos próprios altares criamos as nossas próprias regras, nossas próprias leis espirituais e nossos próprios sacerdotes (1Rs 12.31)

A lei dada por meio de Moisés foi clara. Os sacerdotes de Israel seriam levitas. Jeroboão não respeitou esta limitação e ordenou pessoas de outras tribos como sacerdotes. Quem tivesse dinheiro para fazer os sacrifícios que o rei pediu poderia ser sacerdote (2Cr 13.9).

“Não lançastes fora os sacerdotes do SENHOR, os filhos de Arão e os levitas, e não fizestes para vós outros sacerdotes, como as gentes das outras terras? Qualquer que vem a consagrar-se com um novilho e sete carneiros logo se faz sacerdote daqueles que não são deuses”.

Quando Deus dá qualificações para posições de serviço no reino dEle, devemos respeitar todas as condições por Ele impostas. Apesar de tais orientações na Palavra, quantos homens hoje continuam agindo como pastores, mesmo não tendo todas as qualificações que Deus exige deles? Quem tiver dinheiro para pagar mensalidades de algum curso de teologia se torna pastor, ignorando e desrespeitando as qualificações bíblicas (1 Timóteo 3.1-7 e Tito 1.5-9).

Pastores e “profetas” autodesignados criam a própria teologia e a passam adiante, como se fosse a verdade. Não se interessam nem um pouco no que as Escrituras têm a dizer; antes, colocam as suas “palavras fictícias” no lugar da Palavra imutável e inspirada por Deus, levando muita gente crédula a ser condenada (2Pe 2.1-3):

"E também houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição, e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição. E muitos seguirão as suas dissoluções, pelos quais será blasfemado o caminho da verdade. E por avareza farão de vós negócio com palavras fingidas; sobre os quais já de largo tempo não será tardia a sentença, e a sua perdição não dormita".

Esses falsos líderes abandonaram as Escrituras e inventaram seus próprios manuais de regras e condutas.

E a impressão que temos é que quanto mais longe das Escrituras mais o povo gosta. Quanto mais longe da verdade mais as pessoas se interessam. Só há um detalhe que essas pessoas não sabem: "A Verdade liberta". 

A Verdade traz o entendimento que nos leva a compreender a mensagem da cruz e, através desse entendimento, alcançamos a salvação de nossas almas.   

Em terceiro lugar, quando levantamos nossos próprios altares fazemos o que bem entendemos, pois não temos a quem prestar contas (1Rs 13.1)

Jeroboão criou uma religião que lhe permitia ser rei e sacerdote, ou seja, ele fazia o que bem entendesse.

Jeremias e Ezequiel foram sacerdotes que foram chamados para serem profetas, mas a lei mosaica não permitia que reis servissem como sacerdotes. No livro de  2Cr 26.16-23, nos diz que o rei Uzias quis oferecer incenso sobre o altar e por causa desta transgressão ele ficou leproso.

Hoje temos vivido um cristianismo do “tudo pode”, “não tem nada a ver”, “qual o problema?”. Temos visto por aí um evangelho sem compromisso com Deus, um evangelho sem cruz, um evangelho sem Deus. Entenda uma coisa: “Só houve Pentecostes porque houve cruz. Sem cruz não há Pentecostes”.

Leia o que o Senhor nos diz em Lucas 14.25-33:

"Grandes multidões o acompanhavam, e ele, voltando-se, lhes disse: Se alguém vem a mim e não aborrece a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs e ainda a sua própria vida, não pode ser meu discípulo. E qualquer que não tomar a sua cruz e vier após mim não pode ser meu discípulo. Pois qual de vós, pretendendo construir uma torre, não se assenta primeiro para calcular a despesa e verificar se tem os meios para a concluir? Para não suceder que, tendo lançado os alicerces e não a podendo acabar, todos os que a virem zombem dele, dizendo: Este homem começou a construir e não pôde acabar. Ou qual é o rei que, indo para combater outro rei, não se assenta primeiro para calcular se com dez mil homens poderá enfrentar o que vem contra ele com vinte mil? Caso contrário, estando o outro ainda longe, envia-lhe uma embaixada, pedindo condições de paz. Assim, pois, todo aquele que dentre vós não renuncia a tudo quanto tem não pode ser meu discípulo".

A. W. Tozer escreveu:

A cruz é a coisa mais revolucionária que já apareceu entre os homens. A cruz dos tempos romanos não sabia o que era fazer acordos; nunca fez concessões. Ela vencia todas as suas discussões matando seu oponente e silenciando-o para sempre. Não poupou a Cristo, mas assassinou-o violentamente como fez aos demais. Ele estava vivo quando o penduraram naquela cruz e completamente morto quando o retiraram dali, seis horas depois. [...] Com perfeito conhecimento de tudo isso, Cristo disse: “Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-me”. Então, a cruz não somente trouxe um fim à vida de Cristo, mas também à primeira vida, a vida velha, de cada um de seus verdadeiros seguidores. A cruz destrói o padrão antigo, o padrão de Adão, na vida do crente e o traz a um fim. Então, Deus que ressuscitou Cristo dentre os mortos ressuscita o crente, e uma nova vida começa.

Isso, e nada menos, é o verdadeiro cristianismo.

Devemos fazer algo em relação à cruz. E só podemos fazer um de duas coisas – fugir da cruz ou morrer nela.

Em quarto lugar, quando levantamos os nossos próprios altares e oferecemos nele os nossos próprios sacrifícios o Senhor não se dirige mais a nós (1Rs 13.2)

O profeta não se dirige a Jeroboão, mas ao altar onde ele está sacrificando, pois o coração desse ímpio rei estava cheio de si e ocupado com seus próprios planos e não tinha tempo de ouvir Deus.

Observe que sua mão secou quando ameaçou o profeta e depois foi restaurada. Ele vivenciou o milagre, mas não se voltou para Deus. O coração de Jeroboão estava completamente fechado para Deus. 

O altar de Jeroboão era uma profanação ao altar do templo em Jerusalém. No altar desse rei o que era oferecido não era aceito por Deus, era feito para engrandecimento e fortalecimento do reinado e não para Deus. Não era um lugar de quebrantamento pelo pecado, mas um lugar de engrandecimento de si mesmo.

Há muitos altares em nossas igrejas hoje parecidos com o altar de Jeroboão. Vivemos um tempo secularizado em que os altares das igrejas se parecem mais com palcos de shows do que lugar de adoração. Devido a esta preocupação, precisamos entender qual é o propósito do altar que temos em nossos templos.

Por isso eu pergunto: “O que é um altar?”

1- O Altar é um LUGAR: Malaquias 1.17 “Ofereceis sobre o meu altar pão imundo e ainda perguntais: Em que te havemos profanado? Nisto, que pensais: A mesa do SENHOR é desprezível”.

O profeta Malaquias questiona porque o povo profanava o altar oferecendo pão imundo, ou seja, entregando ofertas indesejáveis ao Senhor e desprezando o lugar santo. Isso ainda acontece quando as pessoas fazem do altar um lugar comum onde se apresentam não a Deus, mas a um público.

O altar é um local, contudo deve ser um lugar santificado e “ungirás também o altar do holocausto e todos os seus utensílios e consagrarás o altar; e o altar se tornará santíssimo” (Êxodo 40.10). Não podemos usar um lugar consagrado a Deus para dar glória aos homens (João 5.41). No Antigo Testamento, para subir ao altar era preciso reverência com vestes apropriadas “nem subirás por degrau ao meu altar, para que a tua nudez não seja ali exposta” (Êxodo 20.26). Hoje estamos no tempo da Graça e dispensação do Espírito Santo, mas não podemos deixar de respeitar o lugar de adoração.
                               
2- O Altar é uma POSIÇÃO: Malaquias 1.10 “Tomara houvesse entre vós quem feche as portas, para que não acendêsseis, debalde, o fogo do meu altar. Eu não tenho prazer em vós, diz o SENHOR dos Exércitos, nem aceitarei da vossa mão a oferta”.

Malaquias também lamenta que estavam oferecendo fogo em vão no altar do Senhor e deseja que as portas fossem fechadas para que isso não acontecesse mais. Afirma que o Senhor Deus não tem alegria em receber sacrifícios falsos e não aceita um culto religioso apenas sem sentido espiritual.
O altar, além de ser um lugar de adoração é uma posição, ou seja, uma postura que precisa ser tomada pelo adorador. Para estar no lugar de adoração é preciso ser um adorador.
Estar diante do Altar da igreja exige muito respeito e temor porque “o nosso Deus é fogo consumidor” (Hebreus 12.29) e “tudo, porém, seja feito com decência e ordem” (I Coríntios 14.40). Embora hoje estejamos no tempo da graça e temos alegria e liberdade pelo Espírito Santo, não podemos negligenciar a seriedade do altar do Senhor.

3- O altar é a VIDA: Malaquias 2.13 “Ainda fazeis isto: cobris o altar do SENHOR de lágrimas, de choro e de gemidos, de sorte que ele já não olha para a oferta, nem a aceita com prazer da vossa mão”.

Malaquias repreende o povo porque ofereciam ofertas no altar e não tinham prazer ao entregar seu sacrifício. A tristeza do povo não era de arrependimento dos seus pecados.

O Altar é a vida de cada cristão porque “o corpo é santuário do Espírito Santo, que está em vós” (I Coríntios 6.19). Então a pessoa que confessa a Jesus deve viver uma vida diante do Altar do Senhor em seu coração.

Spurgeon aconselhava seus alunos no seminário a nunca se descuidarem da prática da oração como parte integrante na vida do Ministro da Palavra. Declarou que o pregador precisa se distinguir acima de todas as demais pessoas como um homem de oração. "Ele ora como um cristão comum, ou de outra forma seria um hipócrita. Ora mais que os cristãos comuns ou de outra forma estaria desqualificado para o cargo que assumiu".

CONCLUSÃO

Essa realidade espiritual que ocorreu na vida de Jeroboão é uma triste realidade que temos visto em nossos dias. Temos que estar atentos para não cairmos no erro de Jeroboão, que duvidou da Palavra de Deus e se enredou por outro caminho, criando o seu próprio sistema de culto, sua própria religião.

Cada crente deve ter consciência de viver no Altar do Senhor, colocando-se em oração constante diante de Deus (I Tessalonicenses 5.17) sabendo que Jesus morreu pelos seus pecados e que o Espírito Santo intercede por nós.

Nossas vidas devem ser oferecidas a Deus “como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus que o vosso culto racional” (Romanos 12.1) ao negar-se a si mesmo e tomar sua cruz como Jesus ordenou (Lucas 9.23).  Em Apocalipse o altar é o lugar onde repousam as almas dos mártires (Apocalipse 6.9) que se sacrificaram por amor a Deus.


O altar da adoração é o coração do adorador. 

Pense Nisso!